quinta-feira, 26 de março de 2020

Como anda a imunidade do seu bicho?



O sistema imune é a primeira linha de defesa contra invasores que adentram nosso organismo e de nossos animais.

Os invasores podem ser vírus, bactérias, parasitas (verme do coração, giárdia, ácaros, fungos) substâncias tóxicas, células cancerígenas, agentes traumáticos, etc.

A primeira linha de trabalho do sistema imune é de identificar o que é “próprio” do organismo e o que é “estranho” ao organismo. O que é estranho deve ser atacado, o que é próprio deve ser conservado e adequado.

Este sistema é formado por glândulas e órgãos (linfonodos, timo, baço, medula óssea, fígado), células (leucócitos)e substâncias químicas como as citocinas que funcionam de forma conjunta e harmônica.

Algumas células elaboram substâncias tóxicas que matam o invasor por oxidação, outras promovem a identificação na membrana da célula que deve ser atacada por outras células e outras ainda estimulam uma resposta inflamatória com o intuito de atrapalhar ou liquidar a ação do invasor.

Cada sistema orgânico, cada órgão e cada célula do organismo tem seus próprios mecanismos de imunidade e todos estão conectados entre si.

O intestino por exemplo é sede de 80% do sistema imune e é um grande influenciador orgânico quando o assunto é manter o sistema imune ativo, eficiente e fortalecido.

E quais seriam os fatores da vida moderna que podem desequilibrar essa complexa harmonia?



Disruptores Imunológicos
  • Fatores ambientais estressores como ruídos, odores, privação ou excesso de alimento, confinamento, falta de atividade física, lúdica e interação social - vivenciados de forma crônica e contínua.
  • Fatores químicos como poluentes ambientais, agrotóxicos da dieta, pipetas e coleiras inseticidas, antibióticos, corticoides, excessos vacinais e tantos outros protocolos convencionais que minam o terreno do individuo e abalam sua imunidade.
E quais seriam os sinais de um sistema imune que necessita de atenção especial?
  • Infecções recorrentes como cistites, otites, infecções respiratórias, funcionamento intestinal inadequado, verminoses recorrentes são alguns dos sinais de que algo precisa ser feito para melhorar a imunidade da sua tchurminha.
Equilíbrio Imunológico

Quando o sistema imune responde de forma adequada aos agentes infecciosos externos, ele tem que necessariamente diferenciar o que é próprio do seu organismo e o que é realmente um invasor.
Na abordagem holística do paciente entende-se que a grande maioria das doenças, senão todas, está direta ou indiretamente ligada ao mau funcionamento ou desequilíbrio do sistema imune.
Esse complexo sistema de células, tecidos e conexões tem muitas formas de manifestar esse desequilíbrio, seja por reações imediatas e agudas , por exemplo a uma picada de inseto, seja pela aplicação de algum medicamento, vacina ou alimento ou por reações tardias de cunho auto imune envolvendo anticorpos direcionados contra células do próprio corpo gerando doenças como trombocitopenia, anemia hemolítica, lúpus, artrite reumatoide, glomerulonefrite, ceratoconjuntivite seca e doença auto imune da tireoide. Essas seriam as respostas de um sistema imune hiperativo e super estimulado!
Da mesma forma, uma resposta pouco eficiente, hipoativa também pode comprometer o equilíbrio do sistema e facilitar o estabelecimento de doenças virais, bacterianas, com baixa eficiência no combate aos invasores.

Nem pra mais, nem pra menos - Modulação Imune

Modular seria o termo apropriado para um ajuste conforme a necessidade do organismo, que aumenta a atividade imune quando há necessidade de aumentar a resposta e que diminui essa resposta quando o sistema está super excitado, de forma descontrolada como no caso das alergias.

E como fortalecer esse sistema imune para que ele não responda desordenadamente pra mais ou pra menos?



Mudança de estilo de vida é por onde devemos iniciar essa revolução!

  • Alimente-o com comida de verdade – cozida, crua, com ossos, sem ossos – encontre a dieta mais apropriada para as necessidades dele e o seu potencial – dietas anti-inflamatórias são um néctar para o sistema imune;
  • Disponibilize água de boa qualidade, não clorada e não fluoretada preferencialmente;
  • Afaste seu animal de situações de estresse, especialmente situações que gerem medo, ansiedade e reatividade;
  • Estimule-o naquilo que é próprio a sua espécie, permita que ele corra, cave, lata, forrageie, fareje, brinque, interaja, troque elétrons com a terra, a grama, a areia - deixe-o manifestar-se conforme os bichos da sua espécie;
  • Promova exercícios físicos, caminhadas, estimule-o a nadar, a mover-se, a movimentar seus músculos e articulações;
  • Toque, massageie, acarinhe o seu amigão;
  • Mantenha-o no peso ideal;
  • Faça enriquecimento ambiental – o ócio é inimigo da saúde;
  • Proporcione um descanso adequado, cães fazem vários pequenos cochilos durante o dia;
  • Não humanize-o, cachorrize-o;
  • Eduque-o, dê limites – um cão equilibrado certamente terá um sistema imune também equilibrado;
  • E pelo amor da Deusa!!!! Pare de intoxicar seu bicho com tantas químicas desnecessárias!!! Reduza os produtos químicos do seu arsenal de ferramentas, use mais alimentos descascados e não desembalados, ervas, homeopatias, chás, produtos naturais para limpeza ambiental, banho, inseticidas e repelentes naturais;
  • Encontre um veterinário que compartilhe esses conceitos com você, que o oriente e transforme a saúde da sua família peluda através do equilíbrio dos sistema imune e de tudo que está direta ou indiretamente ligado a ele.




E agora que você já entendeu tudinho sobre a tal imunidade, podemos falar das ferramentas que mais utilizo pra turbinar essa linda!

Própolis verde – significativa ação imuno-estimulante, antioxidante e sequestrante de radicais livres, pode ser utilizado de forma continuada por longos períodos, pois apesar de ter ações comprovadas como bactericida, antifúngico e ANTIVIRAL, os patógenos não desenvolvem resistência ao uso prolongado. Especialmente eficiente sobre infecções pulmonares também favorece o microbioma intestinal, diminui edemas e tem ação analgésica, além de ser barato.


Probióticos - Kefir de leite, de água, rejuvelac, alimentos fermentados e também os comerciais podem auxiliar no ajuste da microbiota intestinal favorecendo o equilíbrio imunológico.

Vitamina D3 – Esse hormônio é um modulador do sistema imune, importante na recuperação de doenças debilitantes - auxiliar na regulação da microbiota intestinal – reduz inflamações - melhora o metabolismo da glicose e lipídeos.

Ganoderma lucidum – cogumelo medicinal Reishi, usado há séculos na medicina chinesa para preservar a vitalidade, promover a longevidade e prevenir ou tratar uma variedade de doenças. Por sua ação estimulante do sistema imune e adaptógena - ação moduladora sobre o estresse - pode e deve ser utilizado em doenças crônicas e agudas debilitantes como tônico celular. Sua ação ANTIVIRAL e como protetor hepático é bem estudada, demonstrando efeitos significativos sobre o metabolismo orgânico como um todo. Ah! Muito estudado como anticancerígeno.

Spirulina essa alga possui efeitos anti oxidantes e anti-inflamatórios, libera energia metabólica melhorando a vitalidade e a eficiência da assimilação de nutrientes. Ela reforça processo de comunicação celular do corpo e sua capacidade de ler e reparar o DNA, como uma espécie de ajuste celular. É capaz de aumentar a capacidade do organismo de produzir novas células sanguíneas e aumenta a atividade de células importantes do sistema imune como as células tronco da medula óssea, macrófagos, células T e células Killer.


Na loja virtual do Bicho Integral você encontra esses e vários outros itens pra turbinar a imunidade dos seus bichos!

sábado, 7 de março de 2020

Benefícios do Jejum Intermitente na saúde do seu cão




O jejum é a abstinência total da ingesta de alimentos durante um determinado período de tempo. O tipo de jejum praticado deve ser escolhido individualmente, dependendo dos objetivos e especificações de cada caso

Quando o alimento é ingerido, os níveis de açúcar no sangue aumentam (glicemia), e ocorre liberação da insulina que é o hormônio chave para o aproveitamento imediato e o armazenamento da energia não consumida. Normalmente nossos peludos ingerem mais energia do que seu organismo precisa utilizar de imediato, tanto na forma de refeições com quantidades exageradas e/ou disponibilizadas à vontade, quanto na forma de petiscos. O restante dessa energia é armazenada no fígado e no tecido muscular na forma de glicogênio para uso posterior

Durante os estágios iniciais do jejum, a glicose sanguínea e a insulina caem, e à medida que as moléculas de glicose e o glicogênio (glicose armazenada) se esgotam, o
corpo passa a utilizar a gordura como fonte primária de energia, entrando em estado metabólico de cetose

Essa pausa no processo digestivo permite que o organismo possa focar em suas funções de reparo celular e rejuvenescimento dos tecidos ao invés de precisar continuamente despender energia com o processo de digestão. Assim, desencadeia-se um processo chamado AUTOFAGIA. uma auto faxina que permite ao corpo reciclar e limpar detritos celulares e resíduos que se acumulam com o tempo


Alguns benefícios do jejum em cães 

- Perda e manutenção do peso 
- Redução dos níveis de glicose e Insulina 
- Redução de marcadores de inflamação e doenças crônicas 
- Neuroplasticidade – criação de novos neurônios e sinapses 
- Saúde Cardiovascular 
- Reparo celular – Autofagia 
- Redução do dano oxidativo - Longevidade 
- Upgrade imunológico e metabólico 
- Otimização mitocondrial 





Quem pode?

Cães adultos saudáveis
Cães doentes (jejum terapêutico) somente com orientação veterinária


Quem não pode?

Filhotes
Idosos sem orientação veterinária
Diabéticos
Animais que vomitam ao jejuar


E como fazer esse jejum?

São várias as possibilidades

-  intervalos de 8 hs entre as refeições + água (Ex: às 10 e 18hs)
- intervalos de 12 hs entre as refeições + água (Ex: às 10 e 22 hs)
- intervalos de 16 hs entre as refeições + água (Ex: às 6 e às 22 hs)
- intervalos de 24 hs entre as refeições + água (Ex: às 18 hs todos os dias da semana)
- 1x/semana - o cão come normalmente 6 dias na semana e jejua 1 dia - apenas água

Esses são alguns exemplos, converse com o veterinário do seu cão para criarem um protocolo específico para seu amigão!!!

Quando permitimos que o organismo do cão se concentre em outras atividades metabólicas, ele conserva energia, desintoxica e constrói resistência a doenças 


IMPORTANTE: 
- água sempre à vontade! 
- nada de petiscos entre as refeições! 
- pergunte ao veterinário do seu cão se ele PODE fazer jejum e QUAL intervalo de tempo é mais apropriado para ele!


E por fim, se você leu o post inteirinho até aqui, está de parabéns!!! 
Você é especial!

Resista aos olhares encantadores, a saúde do seu bicho vale a pena!



quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Leucemia Felina: como prevenir, manejar e auxiliar no tratamento






Certamente se você tem gatos, já ouviu falar sobre essa doença e certamente teme que algum de seus gatos se contamine. Também é possível que já tenha gatinhos infectados, com diagnósticos firmados ou não. Outra possibilidade é que você recolha um ou mais gatinhos para o seu lar e precise entender como lidar com todas essas possibilidades no seu dia a dia. Vamos tentar elucidar algumas dúvidas além de também fornecer aos tutores e cuidadores de gatos informações que farão toda a diferença no manejo do seu amigo bigodudo, com ou sem a doença.

O que é e como é transmitida a Felv?

O vírus da leucemia felina (Feline Leukemia Virus ou Vírus da Leucemia Felina) é um retrovírus da mesma família do HIV e da FIV – imunodeficiências humana e felina respectivamente, que infecta gatos em todo o mundo. Sabe-se que pode ser responsável por uma grande variedade de cânceres, e que infecções persistentes podem levar à supressão imunológica e anemia grave.

Os retrovírus são espécie-específicos e, portanto, um retrovírus felino não infecta humanos ou outras espécies.  São vírus disseminados por todo o mundo, e estima-se que cerca de 2 a 3% dos gatos saudáveis ​​(sem sintomatologia) estejam infectados com leucemia felina. Em gatinhos doentes, muito jovens ou altamente suscetíveis à infecção as taxas sobem significativamente.

A forma de infecção mais frequente é através da lambedura mútua, comum entre os gatos de convivência doméstica e faz parte do comportamento social da espécie e suas relações interpessoais. Outras formas de contágio entre os gatos seriam através de fluidos corporais como secreções nasais, urina, fezes, leite materno e sangue, o uso de caixas de areia compartilhadas, tigelas de comida e água, além da transmissão uterina. Também pode ser transmitida através das mordidas e arranhões de um gato infectado.

Os gatos de vida livre, que passeiam pela vizinhança e tem contato com outros gatos potencialmente infectados podem, através de mordidas, serem contaminados facilmente. Da mesma forma, gatos recolhidos de ambientes livres ou de populações de gatos sem controle sorológico para o diagnóstico da doença e introduzidos no convívio de animais susceptíveis, podem disseminar a doença a outros indivíduos ou grupos.



E como a doença se desenvolve?

É muito importante identificar os gatos infectados antes que ele apresente sintomas da doença, já que muitos deles, com os cuidados direcionados a uma imunidade fortalecida podem viver uma vida completamente normal até o final dos seus dias.

No início da infecção, muitos gatos não mostram sinais de doença, mas à medida que a doença progride, podem apresentar sinais e sintomas recorrentes que sinalizam uma deterioração da saúde intercalados por períodos de saúde relativamente boa.

Existem dois estágios da infecção por FeLV, sendo o inicial chamado viremia primária e a sua evolução chamada de viremia secundária. No estágio inicial primário alguns gatos são capazes de responder apropriadamente a infecção e interromper sua progressão para o segundo estágio, por isso a importância em identificar sorologicamente os animais infectados nessa fase para que possamos auxiliar na modulação imune e controlar a evolução da doença.

O segundo estágio caracteriza-se por infecção persistente da medula óssea e de outros tecidos e traz consigo um caráter irreversível.



Então o que podemos esperar de um gato infectado?

Duas a quatro semanas após entrar em contato com o vírus da leucemia felina, dependendo do status imune do gato podemos ter dois tipos de reação:

- Não haverá progressão da infecção, mas ela estará latente, apaziguada e sob controle, seja por uma exposição inadequada ao vírus (sem troca de fluidos), seja por uma resposta imunológica afiada e adequada. Normalmente esse grupo não eliminará o vírus na saliva ou qualquer outro fluido corporal.

- Outro grupo, sem uma resposta imune adequada, seja por subnutrição, desnutrição, doenças concomitantes, fatores estressores, parasitismo, ou por terem sido contaminados antes de 8 semanas de idade, além de outros fatores debilitantes, será permanentemente infectado e será uma fonte constante de emissão do vírus com alto potencial contaminante. Esses animais, dentro de alguns meses ou anos apresentarão condições associadas à infecção que poderão evoluir para a morte.

E quais seriam esses sinais, sintomas e condições manifestados pelo paciente com Felv?

Quando a imunidade se encontra comprometida, patógenos que em um gato saudável seriam debelados prontamente pelo sistema imune alerta e competente, no gato com Felv podem causar doenças graves através de infecções secundárias.

Variados tipos de câncer (Felv é a causa mais comum de câncer em gatos, especialmente linfomas), distúrbios metabólicos, sanguíneos, perda de apetite, perda de peso, linfo-adenomegalia (aumento dos linfonodos ou “gânglios”), febre e diarreias persistentes, mucosas pálidas - anemia, gengivites, estomatites, infecções urinárias de repetição, afecções de pele e pelagem, doenças pulmonares, condições oculares diversas, alterações neurológicas e comportamentais, convulsões, problemas reprodutivos e abortos dentre outros, podem ocorrer em decorrência da infecção por Felv.


E como fazer o diagnóstico de Felv?

O teste ELISA detecta o FeLV nos estágios primário e secundário e pode ser realizado na clínica veterinária como triagem. O teste detecta animais positivos a partir da quarta semana após infecção.

O teste IFA (teste indireto de anticorpos imunofluorescentes) capta apenas viremia secundária, de modo que a maioria dos gatinhos com resultado positivo será infectada por toda a vida. Resultados positivos indicam que o animal está em viremia e é contagioso. Este teste deve ser enviado a um laboratório de diagnóstico e é frequentemente usado para confirmar um teste ELISA positivo para FeLV. É efetuado com sangue ou líquor, sendo o do líquor mais eficiente.

O PCR (Reação em cadeia de polimerase) baseia-se na detecção do DNA próviral em células do sangue periférico (leucócitos)  ou aspirado de medula óssea, proporcionando a identificação do vírus independentemente da presença de anticorpos ou de viremia. Possibilita o diagnóstico da infecção na sua fase de latência, na qual não há replicação viral e, consequentemente, os testes sorológicos não identificam o antígeno, porém não determina se a infecção evoluirá para REGRESSIVA ou PROGRESSIVA.



E o prognóstico?

O prognóstico, que de forma bem sucinta seria a chance dos resultados dos tratamentos serem eficazes após o diagnóstico, está diretamente ligado a fase em que o diagnóstico foi firmado, sendo que na fase de viremia primária as chances de instituirmos um tratamento e os resultados serem eficientes é muito maior do que na viremia secundária.

Quando diagnosticamos antes que se tornem sintomáticos e oferecemos um suporte vitalício ao sistema imunológico, muitos desses bichanos podem viver uma vida completamente normal. Pacientes com o sistema imunológico não competente geralmente apresentam complicações de uma doença secundária dentro de 2 anos após a infecção.

O fato de animais positivos  adquirirem uma ou mais doenças graves relacionadas ao vírus, apresentarem febre persistente, perda de peso e câncer, certamente influenciará no tempo de vida dele.

E quanto a prevenção?

A forma mais apropriada e infalível de evitar a contaminação do seu gato é impedir a exposição ao vírus e isso se faz evitando o contato com gatos potencialmente infectados ou não testados para a doença.

Se o seu felino tem vida livre, você terá que supervisionar seus passeios para evitar contato com felinos da vizinhança ou providenciar um espaço telado, protegido e seguro para impedir que gatos de fora entrem ou mesmo que seja possível se morderem ou aranharem através da tela.

No caso de recolher animais de rua ou fazer casa de passagem para posterior doação é importante que mantenha os animais sem contato, separados em ambientes diferentes até que possa testá-los e confirmar seu status imunológico através do Elisa para Felv.

Não recomendo a vacinação pelo simples fato de estarem associadas ao desenvolvimento de sarcoma (câncer) de aplicação ( sendo a vacina de Felv a mais fortemente associada com o surgimento desse tipo de câncer) e não promoverem 100% de imunidade. Já em casos de animais que permanecerão em vida livre após o teste, deve-se cogitar a necessidade de utilizar a vacina para proteger o gato e grupos de gatos do entorno.

E o tratamento/manejo do paciente infectado?

Não há tratamento específico contra o vírus do Felv, mas o controle das infecções secundárias é muito importante para a saúde e qualidade de vida do seu bichano.

As alterações no manejo do paciente com Felv são importantíssimas para evitar a propagação do vírus para outros gatos assim como evitar que a exposição à patógenos os quais o sistema imune alterado não pode atuar de forma eficiente.

Gatos FeLV positivos não devem se reproduzir e tampouco terem acesso a vida livre. Se o seu gato estiver ao ar livre, ele deve estar sob sua supervisão constante ou em um recinto seguro e protegido - que impeça que outros gatos não apenas entrem, mas também possam morder ou arranhar seu gatinho.

Não devem ser vacinados já que se apresentam imunossuprimidos. Vacinas só devem ser aplicadas em indivíduos imunocompetentes!



Que ferramentas auxiliam nesse processo?

- Alimentação: Primeiramente o gato deve receber uma dieta adequada a espécie, com alimentos frescos preferencialmente, mas deve-se evitar os crús em função de sua imunidade comprometida. Se os alimentos naturais não são bem aceitos por ele ou você não consegue por algum motivo propiciar uma dieta natural, opte pelas rações sem grãos (mais apropriadas a espécie felina) sem transgênicos e maior digestibilidade/aproveitamento. Seu gato deve receber uma dieta equilibrada, nutricionalmente completa e adequada à espécie.

- Caldo de ossos: elaborado preferencialmente com pequenas presas inteiras (frango, codorna, coelho, rã, peixes e outros) e cozido por 12-24 hs em fogo baixo e panela parcialmente tampada. Essa “bomba” nutricional traz uma enorme gama de aminoácidos, vitaminas, minerais, enzimas e outros nutrientes dispersos nessa variedade de tecidos. A pronta absorção de nutrientes desse caldo pode auxiliar pacientes desnutridos, anoréxicos e debilitados a recuperarem forças para continuarem lutando. Como fazer e quanto oferecer você encontra aqui 


- Suporte para a imunidade: cogumelos medicinais como ganoderma lucidum e coriolous versicolor são muito eficientes quando o assunto é imunidade. Considerados alimentos funcionais por serem ricos em nutrientes e ainda promovem benefícios a saúde através de compostos com ação anti tumoral, antioxidante e atividade antimicrobiana dentre outras.
Sugestões de doses:
ganoderma lucidum 8 mg/kg
coriolous versicolor 15 mg/kg

A própolis, preferencialmente a verde, além de ser um imunomodulador, tem ação bactericida, fungicida, atividade anti tumoral, auxilia em doenças hepáticas e biliares , dentre outras tantas!
Sugestões de doses:
própolis verde não alcoólico 1 – 3 gotas/kg

Outras ferramentas eficientes para auxiliar o paciente com Felv são a Spirulina, a cúrcuma longa, homeopatias e nosódios específicos, ozonioterapia, fitoterapia chinesa e ocidental, nutracêuticos e tantas outras terapêuticas de suporte.

Importante o acompanhamento veterinário para controle do paciente infectado duas ou mais vezes ao ano, com profissional que além de efetuar exames clínicos e laboratoriais para o controle da evolução da doença, também possa direcionar o tratamento para o bem estar do paciente dando condições de promover qualidade de vida e uma morte também de qualidade quando esse for o desfecho.

No site do Bicho Integral você encontrará um post de relato de caso de Felv muito inspirador para despertar seu interesse e mostrar resultados na prática clínica com a medicina integrativa.

Saudações integrais!




quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Cuidados Paliativos em Pacientes Veterinários Terminais



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Os cuidados paliativos são aqueles dispensados aos pacientes com problemas decorrentes de doenças prolongadas, doenças crônicas graves, degenerativas terminais, incuráveis e progressivas, como câncer, insuficiência renal crônica e insuficiência cardíaca progressiva, dentre outras.
Os pacientes terminais necessitam de cuidados integrais por horas, dias, semanas ou meses, na tentativa de prevenir a dor, o sofrimento físico e o desconforto. A melhoria da qualidade de vida do paciente, no tempo que lhe resta de sobrevida, reflete-se também sobre o cuidador, preocupado com o sofrimento de seu ente peludo querido.

O principal objetivo dos cuidados paliativos em doentes terminais é justamente o de acrescentar qualidade de vida aos dias restantes, e não dias à vida. O objetivo de curar é substituído pelo foco na prevenção e no alívio do sofrimento e da dor, no carinho e na atenção dispensados em confortar e promover o bem estar.




Quando hospitalizamos nossos animais terminais, em tentativas terapêuticas obstinadas de retardar a morte, submetendo-os a tratamentos muitas vezes inúteis, de forma não intencional, sem aliviar seu sofrimento, afastando-os de seus domínios, de seus territórios, do aconchego e do convívio com seus “familiares” de duas ou quatro patas, estamos praticando a chamada distanásia (morte lenta com sofrimento). Já a eutanásia, caracteriza-se por ato médico que tem a finalidade de eliminar a dor e o sofrimento gerados pela doença incurável, através da morte assistida de seu portador. Ortotanásia é o termo utilizado para designar a morte no seu tempo certo, sem tratamentos desproporcionados e sem abreviação do processo de morrer. É a chamada morte boa, em casa, entre os seus, de forma natural, tranqüila, sem dor ou sofrimento. É sobre esta morte que vamos falar.

Ao supormos que não há mais nada a fazer pelo paciente sem possibilidades de cura, imediatamente surge a ideia da eutanásia, tanto pelo cuidador quanto pelo veterinário. Esta abreviação da vida de nossos companheiros peludos abrevia também uma etapa do existir da qual faz parte o morrer, pertencente ao paciente terminal, assim como da etapa do cuidar pertencente ao cuidador. A morte, antes encarada como fase natural da vida, assistida pelos entes querido, no aconchego do lar e cercada de cuidados, hoje toma uma proporção diferenciada na vida das pessoas a medida que resolve-se praticar a eutanásia ao mínimo sinal de doença sem prognóstico.
Não estamos falando aqui de deixar nossos amigos padecerem com dores e desconforto. Estamos sim, questionando a eutanásia como único caminho quando temos um paciente terminal.



Então falemos de sofrimento e dor...
Como podemos identificar dor e desconforto em nossos amigos? Não é fácil pois não há expressão verbal de sensações e desconforto, eles não falam. Então como saber? Além da observação clínica do médico veterinário, as informações precisas do cuidador/observador no que se refere ao comportamento do animal e suas alterações, podem nos dizer quase tudo. Por exemplo, em caso de dores reduzidas ou desconforto leve, observamos pouquíssimas alterações comportamentais, sendo que alguns animais se afastam dos seus entes queridos, outros ficam visivelmente mais próximos, como se buscassem apoio e conforto, mas há, evidentemente “algo sutilmente diferente”. Podem ou não apresentar episódios de anorexia, onde em um dia não tem interesse em comer, no outro já estão com um apetite normal, mas são episódios isolados, sem grande freqüência. Na dependência da patologia que os aflige, apresentam sintomas isolados como diarréias, micções com sangue, dificuldades em locomover-se, etc., mas sempre em episódios não continuados ou uma sintomatologia leve, transitória.

Já as dores moderadas, manifestam alterações comportamentais inespecíficas, como ausência de apetite ou redução deste, associados ou não a dificuldade ou incapacidade em engolir, prostração, desinteresse sobre coisas que antes o interessavam muito, sintomas específicos dos órgãos afetados e que nem sempre são amenizados com facilidade como na fase anterior.

Conforme aumenta o grau de dor e desconforto, podemos observar vocalização (gemidos,choros, uivos ou gritos), batimentos cardíacos acelerados (taquicardia), movimentos respiratórios acelerados (taquipnéia) ou superficiais, irregulares e dificultosos, dilatação pupilar (midríase), salivação excessiva, náuseas e vômitos, diminuição da quantidade e freqüência de micções (diurese diminuída) ou incontinência urinária e fecal, extremidades frias, alterações na coloração da pele (azulada ou pálida) inquietação ou confusão e desorientação intensas ou no outro extremo, prostração absoluta com olhar perdido e estado de ausência.

O primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticos do Brasil, na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, coordenado pela Dra. Denise Fantoni (minha querida colega de turma), desenvolveu um questionário aplicado aos cuidadores com o intuito de avaliar a qualidade de vida do animal e desta forma ajudar nos cuidados paliativos, introdução de medicamentos no controle da dor, controle de doses mais apropriadas, tudo com a finalidade de minimizar o sofrimento dos doentes terminais. Essa mudança de paradigma é inovadora, dentro da medicina tradicional e vale aqui deixar expressa minha admiração pelo trabalho da equipe. Aparentemente o ambulatório não apresenta-se mais em funcionamento segundo minhas pesquisas na internet, mas tenho abaixo um questionário de avaliação criado por eles que podemos nos basear para levantar dados e tentar entender o estado anímico/funcional do paciente para poder auxiliá-lo e identificar o momento de mudar o protocolo e os cuidados referentes a ele.




AVALIAÇÃO
Este é o questionário aplicado pelos veterinários do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP. Ele ajuda a melhorar a qualidade de vida dos animais
1. Você acha que a doença atrapalha a vida do seu animal?
2. O seu animal continua fazendo o que gosta (brincar, passear…)?
3. Como está o temperamento do seu animal?
4. O seu animal manteve os hábitos de higiene (lamber-se, por exemplo)?
5. Você acha que o seu animal sente dor?
6. O seu animal tem apetite?
7. O seu animal se cansa facilmente?
8. Como está o sono do seu animal?
9. O seu animal tem vômitos?
10. Como está o intestino do seu animal?
11. O seu animal é capaz de se posicionar sozinho para fazer as necessidades fisiológicas?
12. Quanta atenção o animal está dando para a família?


Como aliviar dor e desconforto ?
Proporcionando nutrição adequada, conforto, aconchego, atenção e analgesia.
Além de analgésicos, alguns medicamentos homeopáticos, quando bem escolhidos aliviam a dor de forma muito eficiente. A acupuntura, massagens, drenagem linfática e a fisioterapia também apresentam-se como ferramentas muito eficazes nesse processo. A utilização de canabinóides (CBD e THC especialmente) também tem demonstrado resultados muito animadores nessa fase terminal da vida. O alívio de tensões, dores, estresse e edema linfático, proporcionam conforto e melhoria no bem estar trazendo qualidade de vida e de morte.



Medicamentos homeopáticos bem escolhidos, baseados nos sintomas típicos e peculiares de cada paciente, em cada momento dessa fase crítica, expresso por sinais específicos daquele paciente, naquele momento, podem amenizar a dor e o sofrimento do paciente terminal. Nesta fase, os dados constitucionais do paciente, que no tratamento homeopático das doenças crônicas são tão importantes
, deixam de ser prioritários e os sintomas atuais, referentes ao quadro atual do paciente, ganham importância no alívio dos sintomas. As mudanças sintomáticas devem ser observadas a fim de selecionarmos uma seqüência medicamentosa em conformidade com os sinais e sintomas que vão surgindo. Muitas vezes o alívio do desconforto é imediato e prolonga-se até o fim. Outras vezes, este alívio é passageiro e necessitamos outros medicamentos baseados em novos sinais que vão surgindo. Ao utilizarmos o estímulo do medicamento homeopático, baseado nos sinais do momento clínico atual, estimulamos uma reação secundária do organismo que mobiliza o restante de sua energia vital no sentido de proporcionar um retorno ao bem estar, a um novo equilíbrio, mesmo que passageiro. O que advêm em seguida é muito semelhante ao apagar de uma vela, que queima até o final e se apaga, consumindo todas as suas reservas, de forma serena e natural. Em homeopatia, ao utilizarmos as peculiaridades de cada processo de morte individual na busca do medicamento mais apropriado para cada indivíduo neste momento, podemos propiciar uma morte digna,respeitando a fragilidade de cada ser, com o mínimo de sofrimento e dor, com naturalidade, delicadeza e sem a urgência de uma morte antecipada.

Estes cuidados paliativos feitos com homeopatia, promovem alívio sem a pretensão de curar mas sim, com o intuito de minimizar sofrimentos, melhorando a qualidade de vida e de morte de nossos pacientes peludos. Esta postagem tem por finalidade alertar aos cuidadores e veterinários que existem sim formas mais amenas e serenas de encarar o processo de morte sem a necessidade de abreviar vidas, em todos os casos, como forma de resolver situações desconfortáveis para todos.
Cuidar de um paciente terminal exige muito mais do que conhecimentos científicos e técnicos. Exige a compreensão do processo de vida, da individualidade do ser, do seu valor único e o conhecimento do processo de morte.

Não podemos esquecer que todas as formas de vida que conhecemos apresentam início, meio e fim, no corpo físico que conhecemos, e que ao proporcionarmos uma vida saudável, plena e de acordo com a natureza da espécie em questão, estaremos também minimizando efeitos dramáticos no final de cada existência. Reconhecer a proximidade da morte, compreender o seu papel nas nossas vidas enquanto responsabilidade pessoal e social, entender que morrer é um processo natural e que faz parte do nosso aprendizado, prepara-nos com serenidade para esse momento inevitável e faz dele uma despedida menos dolorosa e cercada de boas e eternas lembranças.



Algumas ferramentas auxiliares em momentos de despedida:

Para o paciente: 
Floral de Bach: Rescue - 3 gotinhas 4-6 vezes ao dia ou 3 gotinhas diluidas em 200 ml de água e oferecidas aos goles várias vezes ao dia; Walnut (4 gotas 4x/dia)
Óleos essenciais: Lavanda

Para o tutor/cuidador:
Floral de Bach: Rescue - 3 gotinhas 4-6 vezes ao dia ou 3 gotinhas diluidas em 200 ml de água e oferecidas aos goles várias vezes ao dia; Red Chestnut (4 gotas 4x/dia)
Óleos essenciais: Cedro, Cipreste, Pinho, Bergamota, Mirra e Olíbano

Outros: amor, serenidade, entendimento, desprendimento





sábado, 4 de janeiro de 2020

Curso Básico de Medicina Veterinária Sistêmica




O Programa de Formação em Medicina Veterinária Sistêmica no Brasil e no Exterior, lança pela primeira vez em Florianópolis – SC, em parceria com a Dra. Carmen Cocca, idealizadora do Bicho Integral, um curso básico de iniciação à Medicina Veterinária Sistêmica.

O Curso Intensivo – Nível Básico (100h) é um método de alto impacto, que exige dos alunos rápido aprendizado e assimilação dos conteúdos, e será ministrado no período de 13 a 23 de Junho de 2020 pelos Co-Founders do Programa, Dra. Carla Soares e Dr. Ricardo Garé.

Esse modelo de curso é uma iniciação à Visão Sistêmica aplicada à Medicina Veterinária, aonde os alunos poderão conhecer sobre a filosofia ancestral da visão sistêmica, sobre psicodrama, teatro, percepção/flow, psicologia positiva, reiki nível 1 e 2, comunicação intuitiva, e bases das constelações familiares segundo Bert Hellinger aplicadas as idiossincrasias da Medicina Veterinária (relações interpessoais, sintomas e doenças, perdas e luto, ortotanásia, Síndrome de Burnout e questões empresariais).



Esse curso não habilita os alunos nas Constelações Familiares, e sim, apenas em pequenos exercícios sistêmicos que poderão ser aplicados em grupos ou em consultórios. Por esse motivo, o nível básico é uma iniciação e um pré-requisito para os demais níveis.

Para que o aluno avance nas Constelações Sistêmicas Veterinárias, são necessárias mais 200h de aulas voltadas para as Constelações Sistêmicas com práticas e estudos mais aprofundados (nível intermediário e nível avançado), para que o aluno esteja capacitado.



Esse curso, fornecerá certificação reconhecida e emitida pela Sociedade Brasileira de Saúde Quântica com a habilitação MÉDICO VETERINÁRIO SISTÊMICO – NÍVEL BÁSICO (100 HORAS), com as seguintes atividades autorizadas: Reiki 1 e 2 aplicados à Visão Sistêmica, Comunicação Intuitiva entre Consciências com Visão Sistêmica, e, habilitação apenas para as práticas de Exercícios Sistêmicos. O Curso Nível Básico não autoriza o aluno a ser Constelador Sistêmico Veterinário.

Esse curso é a iniciação de um caminho e um modo operandis, com profundos processos de transformação, resignificação e reconciliação com nosso sistema familiar de origem e com nossos propósitos de vida. Permitindo que o aluno tenha os primeiros contatos com a Medicina Veterinária do Terceiro Milênio.



A Medicina Veterinária Sistêmica estuda e se apoia na Ciência Fenomenológica, que percebe e estuda o inconsciente das relações entre os seres vivos e das famílias multiespécies, facilitando a integração, a pacificação e que o fluxo do amor possa permear o caminho através do contato com a dor e com o Self 2 (mente inconsciente). 





A Medicina Veterinária Sistêmica se pauta no desenvolvimento animal-humano e não-humano, buscando sanar questões e conflitos que são os “blind spots” (panos de fundo) do surgimento de padrões de emoções, crenças, comportamentos e sintomas, muitas vezes, transgeracionais, espelhados pela lealdade dos animais ao nosso sistema familiar.

Esperamos você para essa jornada profunda e de uma medicina humanizada! Informações no site www.veterinariasistemica.com.brwww.veterinariasistemica.com.br


Assista ao vídeo explicativo no youtube


Turmas abertas para 2020!

Com amor,


Carla Soares e Ricardo Garé
Co-Founders do Programa de Formação em Medicina Veterinária Sistêmica
no Brasil e no Exterior.

sábado, 30 de novembro de 2019

Malassezia: como eu trato

As leveduras do gênero malassezia são consideradas como parte integrante habitual da microbiota da pele, dos ouvidos e das mucosas de cães sãos. O quadro clínico da malasseziose tegumentar desencadeado pela excessiva multiplicação da levedura Malassezia pachydermatis sobre a epiderme canina, somente se evidencia quando um conjunto de fatores predisponentes, endógenos ou exógenos estão presentes. Dentre os fatores predisponentes, alterações nos mecanismos de defesa do hospedeiro e na microbiota da superfície da sua pele, sugerem o status oportunista da malassezia. Seu papel na perpetuação e no agravamento das dermatites mais diversas vem sendo pesquisado há anos, por diversos grandes nomes da dermatologia veterinária mundial, na busca do entendimento de sua etiopatogenia, predisposições,incidência, evolução e respostas as diversas terapêuticas. Muitas espécies animais, inclusive o homem, tem em sua microbiota natural a malassezia.

            Malassezia pachydermatis : tingida de cor escura

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

ATOPIA CANINA: Abordagem Holística


A dermatite atópica (DA), também chamada de atopia, é uma enfermidade de pele muito comum nos dias de hoje e que se apresenta cada vez mais freqüente no dia a dia das clínicas veterinárias que atendem pequenos animais.
A queixa principal é sempre o PRURIDO e consequentemente surgem as lesões de pele resultantes do auto traumatismo e infecções secundárias por bactérias e fungos. Estas lesões secundárias podem apresentar-se sob a forma de crostas, alopecia (ausência ou rarefação de pelos), lignificação (pele rachada e aparentemente espessada, sem pelos) e hiperpigmentação (pele escura, preta mesmo). As áreas mais afetadas são a face, principalmente ao redor dos olhos e boca, as patas ( principalmente nas extremidades e entre os dedos), região abdominal ventral, inguinal, axilar, face flexora da articulação do tarso e face extensora da articulação do carpo, pina (extremidade das orelhas), canal auricular externo(ouvido), genitália feminina e ânus.
Quando a pina (ponta da orelha) e o canal externo do conduto auditivo encontram-se afetados, a otite externa surge normalmente como sua complicação. Há relatos de que mais de 80% dos animais com DA apresentam otites. Infecções secundárias com leveduras e bactérias são freqüentemente encontradas nestas otites.

Diagnóstico

A suspeita se baseia na localização das lesões e pela exclusão das demais dermatopatias alérgicas, parasitárias, hormonais e nutricionais. Não há exames laboratoriais que confirmem o diagnóstico de atopia.
Algumas raças apresentam predisposição genética para apresentar a DA, como goldens, labradores, pastores alemães, weast highland terriers, e as pequenas raças como shitzu, maltês, lhasas e poodles, sendo estas últimas quatro as que mais atendo no meu consultório com quadros de atopia, mas qualquer raça pode ser afetada, inclusive os sem raça definida. Fêmeas parecem ser mais afetadas que machos (60 e 40% respectivamente). A faixa etária mais afetada está entre 1 e 3 anos (mais de 60% dos casos), seguida por geriátricos (acima de 7 anos) e pediátricos (até nove meses de vida).

O diagnóstico da dermatite atópica esta relacionado aos antecedentes do paciente (dermatites e otites recidivantes que respondem a terapia com corticóides); sinais clínicos como prurido e vermelhidão da pele, afetando os ouvidos, o focinho, os olhos, as superfícies flexoras, as patas e a parte ventral do organismo animal; diagnóstico diferencial com outras patologias de pele como sarna sarcóptica, sarna demodécica, malaceziose disseminada e outras; falta de resposta a dietas de eliminação hipoalergênicas de duração mínima de 6 semanas, que utilizam uma proteína nova na alimentação. Não costumo indicar provas de alergia para estabelecer um diagnóstico, já que de 10 a 20% dos cães clinicamente atópicos apresentarão provas sorológicas e intradérmicas negativas, além do que o teste de sensibilidade tem um custo altíssimo para a maioria dos cuidadores.
Atopia Canina


A dermatite atópica é uma enfermidade multifatorial da qual fazem parte tanto componentes alérgicos, como defeitos na barreira cutânea, infecções microbianas e outros fatores exacerbantes (agravantes).

Vejamos alguns dos possíveis fatores exacerbantes:

Ectoparasitas – As pulgas e os carrapatos podem ser uma complicação nos casos de DA, assim como a sarna sarcóptica, e a sarna demodécica, estando esta última associada a imunosupressão. Formas naturais de controle de ectoparasitas são as mais indicadas em animais atópicos 

Infecções bacterianas e por leveduras – são freqüentemente responsabilizadas pelos quadros de dermatites. Trabalhos científicos recentes sugerem que o comprometimento da função da barreira epidérmica pode estar diretamente ligado a um desequilíbrio entre cepas de Staphylococcus comensais (habitantes naturais da pele do cão), sobrepondo-se as superpopulações de Staphylococcus pseudointermedius , sugerindo que a diminuição da diversidade bacteriana está associada à gravidade das lesões locais.
A imunosupressão ( ou baixa da imunidade) pode favorecer o surgimento de infecções por malassezia e stafilococos, dentre outros, concomitantes ao quadro de DA, mas ainda não se determinaram se o desequilibrio da microbiota da pele do paciente atópico seria causa ou consequência da doença,. O supercrescimento bacteriano (especialmente Staphylococcus pseudointermedius) além de caracterizar uma disbiose na epiderme (desequilibrio da microbiota local) também acentua sinais clínicos através de sensibilidade não só a  grande quantidade de bactérias dessa cepa, como suas toxinas e os produtos do seu metabolismo. O própolis e o óleo essencial de melaleuca são aliados importantes no controle o abrandamento dessas infecções a medida que agem tanto sobre algumas bactérias quanto leveduras e podem ser utilizados topicamente, associados a shampoos, cremes, sabonetes e géis. O uso interno do própolis  por via oral (de 1 a 3 gotas para cada 3 kg de peso) sendo um modulador da imunidade, também auxilia no reequilíbrio do paciente atópico.

Estresse – é uma sobrecarga sobre os sistemas de controle e adaptação do indivíduo e que podem precipitar ou exacerbar sinais clínicos dermatológicos.
Alguns exemplos de estresse ambiental e social: estimulação mental inadequada, exercícios inadequados (menos atividade física do que o necessário), interação inadequada com a família e outros animais, acesso limitado a fontes essenciais (comida, água, abrigo), isolamento social, conflitos de status, conflitos relacionados a território, adição ou perda de membros da família, alteração de saúde de um ou mais membros da família, alteração da rotina diária, casa ou ambiente novo, alteração do ambiente físico, viagem, hospitalização, doenças crônicas diversas, etc. Produtos homeopáticos específicos para o quadro de estresse, como o Fator Estresse Pet  ou o Rescue Night podem ajudar na adequação do estado mental do paciente!

“O ESTRESSE PSICOLÓGICO É MAIS EFICAZ QUE O FÍSICO PARA BAIXAR AS DEFESAS IMUNOLÓGICAS CUTÂNEAS.”

Efeitos ambientais – extremos de temperatura e humidade, superfícies irritantes ou abrasivas, produtos químicos no ambiente, ácaros, etc.


No esquema acima: barreira epidérmica desestruturada à esquerda e íntegra à direita.


Revitalizando a barreira cutânea

Cães atópicos apresentam defeitos na barreira cutânea, especialmente no cemento celular (espécie de "cimento" que une uma célula a outra) , que é formado por lipídeos (gorduras), principalmente por ceramidas. As células e os espaços lipídicos intercelulares são os componentes principais desta barreira e quando há uma desestruturação desta barreira o resultado é a perda de água, uma maior penetração de antígenos e produtos químicos, e um aumento da aderência de estafilococus à superfície dos corneócitos (células superficiais da pele).

Nutrição e Nutracêutica


A nutrição contribui para melhorar a produção de ceramidas e, desta forma, fortalecer a função da barreira da pele. Mediante o uso de nutrientes adequados, que atuam sobre a resposta inflamatória, como ácidos graxos poliinsaturados Omega 3 e os que atuam sobre a resposta imunitária, como os probióticos, verifica-se a melhora estrutural da barreira cutânea e uma diminuição e até o controle dos sinais clínicos da atopia, como escamação, prurido e inflamação da pele. A prevenção e o controle das hipersensibilidades alimentares, com a utilização de dietas caseiras hipoalergênicas e alimentos de alta digestibilidade, também apresentam grande valor no tratamento e prevenção da atopia.
Os nutrientes que se consideram importantes para a melhoria da função da barreira cutânea são:
- Zinco: como redutor da inflamação (ex. argila verde)
- Ômega 3 : redução da inflamação
- Algumas vitaminas do complexo B(Inositol, colina, pantotenato, nicotinamida )  e o aminoácido histidina: atuam sobre a síntese da barreira lipídica epidérmica.
- Aloe Vera e curcumina – promovem o aumento dos fibroblastos (uma das células constituintes do tecido conjuntivo entre as células); a síntese de proteoglicanos ( que atraem água pra os tecidos); da produção de TGF (proteína que controla a proliferação celular); e redução da inflamação.

E a alimentação?


Outro importante passo no tratamento da atopia é, ao meu ver, a alteração alimentar para dieta caseira balanceada, que faz parte do meu protocolo de tratamento em várias patologias. A não utilização de aditivos alimentares como conservantes, corantes, aromatizantes, e outras dezenas de "antes" acrescidos aos alimentos industrializados, glútem e lácteos, por si só já ameniza os sintomas de prurido e vermelhidão na pele, observados na minha prática clínica. Cada indivíduo deve ter o seu cardápio adaptado as necessidades individuais, baseados em atividade, condição corpórea, patologias que cursam concomitantes, rotina do proprietário, etc.

Tratamento Tópico
A terapia tópica (local), deve visar efeitos hidratantes ( que conduzem água para a pele), emolientes (que retêm a água na pele), umectantes (que atraem água para a pele) e reparadores. Como exemplo nessas modalidades, temos o óleo de girassol com todas essas características desejadas.
O óleo de girassol ozonizado ainda apresenta ação bactericida e fungicida para controle dos microorganismos em excesso na pele (disbiose de pele)

O uso de  Shampoos, cremes, loções, balms ou géis para tratar e revitalizar a pele são imprescindíveis no auxílio a recuperação da pele afetada.

Cuidadores de animais atópicos devem sempre testar produtos de uso local na pele de seus bichos antes de usar: passe uma gota do produto na região interna da virilha onde eles tem menos pelos e esfregue. Deixe agir por 30  minutos. Se o local da aplicação ficar vermelho, quente ou formar um inchaço qualquer, provavelmente o bicho é alérgico e deve-se evitar o uso de tal produto. Caso nenhum desses sinais apareçam, pode ser usado com tranquilidade.


                                                                                                                                                                                                                                                                                                               
Os cuidadores e tutores  de animais atópicos devem estar cientes de que, provavelmente, terão que controlar a atopia de seus animais por toda a vida deles e que haverá períodos piores e melhores no decorrer de suas vidas. Portanto, optar por terapêuticas com o mínimo de efeitos colaterais e que visem o controle dos fatores ambientais e psicobiológicos, seria o caminho para melhorar a qualidade de vida dos nossos pets. Dentro da proposta integralista em saúde, devemos valorizar a educação do cuidador no controle de alérgenos de ácaros, de aero-alérgenos e trofo-alérgenos (presentes em alimentos), no controle de doenças psicogênicas e psicossomáticas, no controle alimentar e nas suplementações com nutracêuticos adequados, que são alimentos ou parte deles que tem a capacidade de proporcionar benefícios a saúde.

Com relação ao tratamento homeopático, como vivo insistindo em todas as minhas postagens, deve-se ter em mente que não existem fórmulas mágicas que servem para todos os animais com a doença. A abordagem individual deve ser o foco do homeopata para que o indivíduo se estabilize e para que possamos controlar os episódios que surgirão com maior ou menor intensidade, na dependência de fatores desencadeantes e exacerbantes, intrínsecos e extrínsecos ao indivíduo, mas que só a ele pertencem. Tratamos doentes e não doenças. Quando recebemos, em nossos consultórios homeopáticos, animais que já vem sendo medicados por muito tempo com terapias do tipo supressoras, como corticoides, anti-histamínicos, quimioterápicos, imunossupressores, etc., devemos orientá-los no sentido de que poderão ocorrer agravações no início da terapia homeopática e de que o tempo que necessitamos para estabilizar o animal é maior quão maior foi o tempo em que se utilizaram tais medicações. Não é um tratamento simples e em muitos casos bastante demorado. Necessita da cumplicidade e confiança do proprietários, que deve ser muito observador e colaborativo, não faltar aos retornos para avaliação e medicar adequadamente.

Neste texto não abordei os tratamentos convencionais alopáticos por haver extensa bibliografia sobre o assunto em diversos sites da internet e também, porque não acredito nessas terapêuticas que na minha prática clínica alopática, por 18 anos, simplesmente não vi resultados que valessem a pena, em troca de tantos efeitos colaterais decorrentes delas, exceto em casos extremos, onde tentativas de solucionar o quadro de prurido, desconforto e infecções com produtos naturais não tenham surtido efeito, ou como coadjuvantes no tratamento para diminuir populações excessivas de bactérias e leveduras na pele, mas sempre associados a ferramentas naturais. Se pudermos iniciar o tratamento natural e não agressivo nos primeiros sinais de manifestação do quadro atópico, deixando os alopáticos para quando forem realmente necessários, certamente teremos resultados muito mais positivos para a saúde geral dos nossos peludos.

Referências Bibliográficas:

Muller, R.S. Diagnosis and treatment of canine atopic dermatitis
Ralf S. Mueller DipACVD, DipECVD, FACVSc
Proceedings of the 33rd World Small Animal Veterinary Congress 2008 - Dublin, Ireland. Disponível em: http://www.ivis.org

Nuttall,T. Tratamiento de la dermatitis atópica
Veterinary Focus / / Vol 18 No 1 / / 2008
Disponível em: http://www.ivis.org

Prelaud, P., Harvey, R. Dermatología canina y nutrición clínica
Enciclopedia de la nutrición clínica canina – Royal Canin
Disponível em: http://www.ivis.org

Farias, M.R. Síndrome Dermatite Atópica Canina: consenso.
Disponível em :
http://www.sovergs.com.br/palestras/Dr_Marconi_de_Farias_Sindrome_Dermatite_Atopica_Canina_consenso.pdf

Charles W. Bradley et All  Microbiome and Association with Microenvironment and Treatment in Canine Atopic Dermatites et All 

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Sete vantagens do Uso da Homeopatia em Veterinária:

1. Não requer experimentação cruenta em animais.

2. Não utiliza drogas de elaboração industrial, artificial, tóxicas e/ou contaminantes.

3. Pode prescindir de vacinas ou outros meios artificiais para a prevenção das chamadas enfermidades contagiosas evitando assim, muitas vezes, sérios efeitos colaterais negativos.

4. Promove de forma terapêutica e favorece ideologicamente mudanças de atitude vital, tanto dos pacientes quanto dos terapeutas e cuidadores, ajudando na construção de um mundo melhor.

5. Custo baixo!

6. Trata surtos epidêmicos em populações tanto de forma profilática quanto terapêutica.

7. Ao reequilibrar a energia vital do enfermo atua sobre o organismo como um todo (holos) melhorando não só os sintomas físicos como também os mentais, melhorando as relações com o ambiente, os sofrimentos, os medos, etc.