sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

VERMINOSES, VERMES, VERMÍFUGOS COMERCIAIS E NATURAIS PARA CÃES E GATOS



O que precisamos saber...

Verminoses são doenças causadas por vermes que se alojam principalmente nos intestinos, mas que também podem afetar outros órgãos como esôfago, estômago, coração, pulmões, rins e fígado. Os danos decorrentes da infestação dependem de diversos fatores como a carga parasitária, a idade do animal, as condições imunológicas, o ambiente em que vivem com suas condições de higiene e manejo e o curso concomitante com outras doenças. As infecções podem apresentar sintomas leves como apetite caprichoso, perda de peso, tristeza, aumento de volume abdominal, pelos opacos, fezes moles, coceira anal ou sintomas mais acentuados que demonstram o comprometimento mais sério de um ou mais sistemas orgânicos como anorexia completa, diarréias severas com sangue e/ou muco, vômitos,desidratação, anemia, ascite (barriga d’água), obstrução de orgãos ocos(estômago, intestino, esôfago e coração), artérias e veias, assim como intoxicações proporcionadas por toxinas produzidas pelos parasitas ou pela sua ação direta sobre tecidos e mucosas.

VIAS DE TRANSMISSÃO DAS PARASITOSES
Existem várias formas de transmitir /adquirir parasitas: VIA ORAL que se dá através da ingestão de ovos, oocistos ou larvas infectantes encontradas no solo, diretamente relacionada com a higiene, manejo e densidade populacional e /ou pela ingestão de hospedeiros intermediários ( pequenos roedores, aves, insetos e parasitas externos) relacionados aos hábitos de caça e predadorismo;
VIA PERCUTÂNEA quando as larvas penetram através da pele do animal, estando relacionada com a contaminação/higiene do ambiente em que vivem; VIA TRANS-UTERINA relacionada a transmissão de larvas da mãe ao filhote ainda dentro do útero materno; VIA GALACTOGÊNICA quando a contaminação se dá através do aleitamento.

EDUCANDO...
Além da transmissão de vermes entre indivíduos da mesma espécie (intraespecífica), a ocorrência de transmissão entre espécies diferentes (interespecífica) e especialmente dos animais ao homem (zoonoses) evidencia a importância do papel dos médicos veterinários como agentes promotores em saúde pública de forma a difundir conhecimentos e educar proprietários, criadores, cuidadores e poder público. A eficácia e segurança dos novos produtos disponíveis para a prevenção e controle das verminoses não impediram que doenças parasitárias emergissem ou reemergissem como um sério problema em animais de companhia.
As grandes descobertas da indústria farmacêutica antiparasitária veterinária, aos moldes da industria de vacinas já mencionadas em outros artigos deste blog, acabaram por promover protocolos únicos de desverminação, desconsiderando novamente a individualidade de cada paciente ou de cada grupo de pacientes, levando veterinários clínicos e proprietários a dispensarem a utilização de exames coproparasitológicos (exame de fezes) na prática clínica diária. A falta de prestígio de tal atividade deve-se principalmente aos interesses comerciais da venda e aplicação indiscriminada de antiparasitários, fonte de renda certa nas clínicas e petshops de todo o mundo. Desta forma, porque então lidar com um material nauseabundo e fétido se podemos simplesmente prescrever um vermífugo comercial 2,3 ou 4x ao ano e ainda obtermos lucros com isso? Já imaginaram a quantidade de vezes que os nossos amigos peludos foram dosificados com esses medicamentos sem haver necessidade? Ou talvez com esquemas errados que não afetam os vermes que realmente estão presentes no seu amigão? Não pensem que estes produtos são inócuos (livres de efeitos indesejáveis) quando administrados incorretamente. Podem apresentar efeitos desagradáveis, leves/moderados/sérios e devem ser usados sim, mas com critérios médicos individualizados em cada caso. Quando se recomenda um vermífugo deve-se levar em conta se ele atua sobre o verme encontrado; qual o período pré patente (ppp) deste verme, que é o período entre a infestação, desenvolvimento de larva/ovo infectante e eliminação dos mesmos como fonte de contaminação; condição clínica do paciente: contaminação ambiental; introdução de novos indivíduos; coberturas; gestações, enfim tudo o que é necessário para uma máxima atuação do medicamento e minimização dos riscos a saúde do seu amigão.

PRINCIPAIS PARASITAS DE CÃES E GATOS (1):

Toxocara canis (cão) não necessita de hospedeiro intermediário mas a ingestão de ovos por aves e pequenos mamíferos que depois venham a ser ingeridos por cães podem contaminá-lo; VIAS DE TRANSMISSÂO (VT): oral, transmamária e intra uterina. Afeta principalmente filhotes causando dor abdominal, diarréia e vômitos; em adultos é assintomática mas continuam contaminando o ambiente.
Localização: intestino delgado (ID) na forma adulta. Larvas podem ser encontradas em pulmões, músculos, sistema nervoso e fígado.
PPP = 2-4 semanas dependendo da via de infecção (o reforço do vermífugo depende deste período).
Potencial zoonótico: larva migrans visceral ( larvas migram em órgãos como o fígado . lesando-o) e larva migrans ocular (cegueira!).

Toxocara cati (gato) não necessita de hospedeiro intermediário mas a ingestão de ovos por aves e pequenos mamíferos, que depois venham a ser ingeridos por gatos, podem contaminá-lo; VIAS DE TRANSMISSÂO (VT): oral e transmamária.
PPP= 8 semanas

Toxascaris leonina (cães e gatos) não necessita de hospedeiro intermediário mas a ingestão de ovos por aves e pequenos mamíferos que depois venham a ser ingeridos por cães e gatos podem contaminá-los. VIAS DE TRANSMISSÂO (VT): oral.
PPP= 10 semanas

Neste grupo chamado de Ascarídeos, após a utilização de vermífugos em animais extremamente parasitados, podem ocorrer reações alérgicas com edema e hemorragias intestinais nos locais onde os vermes estavam fixados na mucosa e esta reação pode ser fatal!

Sintomas clínicos: Em infecções maciças pode haver pneumonia, edema pulmonar, tosse, descarga nasal, aumento da freqüência respiratória, produção de muco nas fezes, obstrução e perfuração intestinal, peritonite.
Em animais jovens é importante repetir os exames caso resultado seja negativo.
GATOS não apresentam sintomas respiratórios.

CONTROLE AMBIENTAL
IMPORTANTE RESSALTAR QUE OS OVOS DESSES PARASITAS SÃO ALTAMENTE RESISTENTES ÀS CONDIÇÕES AMBIENTAIS, PODENDO PERSISTIR NO AMBIENTE POR ANOS!!
UTILIZAR CALOR SECO E DESINFETANTES A BASE DE AMÔNIA QUATERNÁRIA.
REPETIR A APLICAÇÃO A CADA 15 DIAS.
RECOLHER AS FEZES DIÁRIAMENTE TANTO NO AMBIENTE EM QUE O ANIMAL VIVE, QUANTO NOS PASSEIOS.
PARQUES INFANTIS E PRAIAS NÃO DEVEM SER FREQUENTADOS POR CÃES E GATOS.
É UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA E VOCÊ TAMBÉM É O MAIOR RESPONSÁVEL!!!!!!



PROGRAMA DE VERMIFUGAÇÃO PARA ASCARÍDEOS:
Faça exames de fezes nos seus animais ao menos 2x/ano.
Maior importância deve ser dada para fêmeas em gestação! O ideal é vermifugar antes da cobertura, com 42 dias de gestação e 21 dias no pós parto.
Filhotes de cães de ninhadas MUITO infestadas: aos 15 dias, 30 dias, 45 dias, 60 dias
Filhotes de gatos: como não há infecção transplacentária, iniciar com 3 ou 4 semanas de vida. Repetir à cada 15 dias por 2 meses.
Febendazol é suficiente na dose de 50 mg/kg

Vermífugos naturais: esses sim podem ser dados sempre... alho cru, em pó, em cápsulas ou por decocção ( cortado em pedaços ou esmagado e fervido em recipiente tampado por alguns minutos - coar) ; farinha de semente de abóbora (secas e tostadas no forno, depois trituradas ou passadas no processador); hortelã pimenta ( usa-se o óleo e a infusão (água fervente é despejada sobre as plantas, e o recipiente tampado durante 10 a 15 minutos - para folhas secas: 4 colheres de sopa por litro de água, e para folhas frescas: 8 colheres de sopa por litro de água); losna (infusão de flores), mamona (óleo);

HOMEOPÁTICOS: o ideal nesse caso é utilizar o medicamento de fundo para que o indivíduo seja tratado como um todo e como conseqüência, expulse os vermes pra fora do seu organismo reequilibrado. Alguns medicamentos homeopáticos podem ser usados focando na presença de vermes, de forma organicista, física, mas a utilização do medicamento é melhor quando os sintomas mentais do medicamento também acompanham o paciente. O medicamento que mais utilizo no consultório é CINA MARITIMA ( verminose acompanhada de convulsões, indivíduo melindroso, não tolera o toque, grita quando é tocado, sono agitado, dorme melhor com a barriga pra baixoabdome duro e inchado, coceira em ânus e narinas, apetite exagerado que alterna com ausência de apetite).

Não deixe de procurar orientação veterinária, pergunte, questione, procure alternativas junto ao seu veterinário de confiança e não esqueça que cada caso é um caso, único e singular.


Nas próximas postagens vamos falar de Ancylóstoma (bicho geográfico), Dipylidium ( tênia transmitida por pulgas), toxoplasmose e outros.

Até lá!!
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ESPIRRO REVERSO

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VANTAGENS DO USO DA HOMEOPATIA EM VETERINÁRIA:

Não requer experimentação cruenta em animais.

Não utiliza drogas de elaboração
industrial, artificial, tóxicas e/ou contaminantes.

Pode prescindir de vacinas ou outros
meios artificiais para a prevenção das chamadas enfermidades contagiosas,
evitando assim, muitas vezes, sérios efeitos colaterais negativos.

Promove terapêuticamente e favorece
ideológicamente mudanças de atitude vital, tanto dos pacientes quanto dos
terapêutas e cuidadores, ajudando na construção de um mundo melhor.

Custo baixo!

Trata surtos epidêmicos em populações tanto de forma profilática quanto terapêutica.

Ao reequilibrar a energia vital do enfermo,
atua sobre o organismo como um todo (holos) melhorando não só os sintomas
físicos como também os mentais, melhorando as relações com o ambiente, os sofrimentos, os medos, etc.