segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

UTILIZAÇÃO DO NEEM COMO CONTROLE NATURAL DE CARRAPATOS EM CÃES


Todas as partes da planta podem ser utilizadas com sucesso no combate de
parasitas como carrapatos e pulgas


O QUE É O NEEM ?

A procura por alternativas naturais de controle de ectoparasitas (parasitas externos) nos animais de companhia, que minimizem os efeitos tóxicos dos produtos químicos utilizados para tal, vem crescendo nas últimas décadas. A seleção de populações de parasitas resistentes aos diferentes grupos químicos é conseqüência do uso indiscriminado e continuado de drogas, que além de apresentarem efeitos nocivos nos animais e humanos, ainda agridem o meio ambiente.

A Azadirachta indica, conhecida popularmente como NIM ou NEEM é uma árvore conhecida há mais de 2000 anos na Índia e outros países do Oriente, por suas propriedades medicinais de relevante importância junto à saúde do homem, dos animais e das plantas.
Mais de 100 compostos bioativos já foram isolados na sua composição, sendo a azadiractina o principal componente do óleo de Neem. Este composto, classificado como um limonóide, causa distúrbios fisiológicos, altera o desenvolvimento e a funcionalidade de inúmeras espécies de “pragas”, agindo sobre os processos reprodutivos, sobre a inibição do seu crescimento/desenvolvimento e da motilidade do parasita e também apresenta efeito repelente. Também pode interferir nas funções bioquímicas e fisiológicas dos parasitas. Desta forma, a azadirachtina não causa a morte imediata dos insetos. Sua ação começa horas após a aplicação podendo se prorrogar por vários dias; isto porque a substancia age seletivamente em cada tipo de inseto, atingindo suas funções vitais de forma diferenciada.

Além do óleo, diversos outros extratos, com diversas formas de extração podem ser obtidos de partes diferentes da planta que também são capazes de produzir múltiplos efeitos sobre os insetos. Dos produtos derivados do neem, o mais comum, no mercado brasileiro, é o óleo de neem emulsionável, ou compostos emulsionáveis de óleo de neem e extrato oleoso extraído das folhas, que demonstram grande eficiência no combate de pragas e doenças na agricultura assim como no controle de parasitas da pecuária, principalmente bernes e carrapatos.

A baixa toxicidade,o largo espectro de ação e a ampla distribuição na natureza favorecem o interesse em pesquisas científicas direcionadas a sua utilização tanto em pecuária orgânica quanto nos cuidados naturais de cães e gatos.
Encontrei trabalhos científicos que relatam boa atuação do Neem como repelente e controle ambiental de moscas (Cochliomyia hominivorax, Lucilia cuprina, Chrysomya megacephala e Musca domestica), mosquitos (Aedes,Culex, Anopheles), carrapatos (Rhipicephalus sanguineus e Boophilus microphilus) , ácaros da sarna, pulgas e piolhos.

OUTRAS POSSÍVEIS AÇÕES DO NEEM

Também há relatos de sua utilização na assepsia de ferimentos e cicatrização. Sua ação como gel dental promove a redução de placas bacterianas (tártaro ), periodontites e gengivites (as folhas).
Já existem trabalhos de sua ação sobre alguns tipos de câncer , com resultados animadores.
Efeitos gastroprotetores (úlseras e hipersecreção) equivalentes aos medicamentos comerciais mais utilizados nesses casos (ranitidina e omeprazol), também já foram observados, assim como efeitos hepatoprotetores, hipolipêmicos e hipoglicêmicos. Sua ação espermicida e antimicrobiana contra doenças sexualmente transmissíveis também vem sendo pesquisada com resultados iniciais promissores.
O efeito contraceptivo pós-coito, não hormonal, vem sendo explorado em estudos visando minimizar os efeitos colaterais dos contraceptivos esteróides.
Efeitos imunomoduladores têm recebido grande atenção, em função de suas propriedades antimicrobianas, antinflamatórias, antipiréticas, diuréticas e indutoras da produção de interferon.
Existem ainda alguns relatos quanto a sua eficácia no combate à algumas viroses.
Em trabalho efetuado in vitro demonstrou ação sobre dermatófitos (fungos) Trichophyton
rubrum, Trichophyton mentagrophytes, Trichophyton violaceum, Microsporum nanum e Epidermophyton floccosum .
Também encontram-se citações em alguns trabalhos onde vem sendo explorada sua ação como vermífugo natural.

CICLO DE VIDA DOS CARRAPATOS





O principal carrapato dos cães, Rhipicephalus sanguineus, por ser hematófago (alimentar-se de sangue), é o principal vetor biológico e reservatório de Ehrlichia canis, sendo responsável também pela transmissão deoutros patógenos como Babesia canis, B. caballi, B. equi e riquétsias causadoras da febre maculosa ( sobre estas doenças falaremos oportunamente, em outra postagem).
O cão doméstico é o único hospedeiro primário conhecido para os três estágios parasitários (larva, ninfa e adultos) de R. sanguineus, para os quais, o cão não desenvolve imunidade efetiva (Szabó et al., 1995), refletindo uma forte interação parasito-hospedeiro. Este fato demonstra que um único cão pode servir por tempo indeterminado como hospedeiro adequado para todos os estágios parasitários do R. sanguineus, e que a presença de um ou mais cães é um fator condicional ao estabelecimento de uma população de R. sanguineus num determinado local. Por ser um carrapato da família Ixodidae, o R. sanguineus apresenta três formas parasitárias dentro de seu ciclo de vida: larva, ninfa e adulto, este último é o único estágio com dimorfismo sexual(machos e fêmeas diferentes).

Da esquerda para a direita: carrapato macho,  fêmea não ingurgitada e fêmea
ingurgitada de Rhipicephalos sanguineus


No final do período parasitário, as larvas e ninfas ingurgitadas se desprendem do hospedeiro para fazer, no ambiente, a ecdise (troca de fase) para o próximo estágio evolutivo, sendo ninfas e adultos, respectivamente. As fêmeas ingurgitadas( gordinhas, alimentadas e cheias de ovinhos), que foram fertilizadas pelos machos sobre o hospedeiro, se desprendem deste para fazerem a postura de ovos no ambiente. Cadafêmea pode colocar de 1000 a 3000 ovos, que após incubados por algumas semanas, darão origem às larvas. Os machos, que ficam sobre ohospedeiro por vários dias ou semanas, não ingurgitam ou não aumentam nitidamente de tamanho, mas podem fertilizar várias fêmeas neste período.

Fêmea de Rhipicephalos sanguineus fazendo ovo postura


A duração das fases de desenvolvimento em vida livre (ecdise, postura e incubação dos ovos) pode variar de poucas semanas a alguns meses, sendo inversamente proporcional à temperatura ambiente. R. sanguineus é um carrapato de hábitos nidícola (do latim nidi=ninho; cola=que permanece). Portanto, é um carrapato que passa as fases de vida livre nas habitações ou locais de repouso de seu hospedeiro. Em se tratando dos cães, estes locais de repouso ou habitações podem ser a própria casinha do cão, um cômodo de uma residência, um canto de um quintal, etc. Desta forma, todas as fases de desenvolvimento em vida livre do carrapato (ecdises, postura e incubação dos ovos) se passam em frestas ou buracos presentes nas paredes ou teto destes locais onde o cão vive. É interessante observar que ao final de um repasto sangüíneo, os carrapatos nidícolas tendem a se desprender do hospedeiro quando este último se encontra no interior do abrigo, a fim de garantir o ciclo nidícola naquele ambiente, de forma que o estágio subsequente do carrapato não tenha dificuldade de encontrar o hospedeiro para dar seqüência ao ciclo.

Amblyomma sp.


Os estágios ingurgitados de R. sanguineus, apresentam geotropismo negativo após se desprenderem do hospedeiro, propiciando para que as fases de ecdise, postura e incubação dos ovos se passem acima do nível do solo onde o cão vive (Labruna & Pereira, 2001). Tal comportamento é extremamente diferente de outras espécies de carrapatos do Brasil (ex. Amblyomma cajennense, Boophilus microplus, Dermacentor nitens), cujas formas ingurgitadas apresentam geotropismo positivo após se desprenderem de seus hospedeiros. O comportamento geotrópico negativo exercido pelos estágios ingurgitados de R. sanguineus
são extremamente importantes no sentido de favorecer para que uma população de carrapatos colonize residências contíguas em uma determinada área, pois propicia para que os carrapatos atravessem barreiras físicas verticais, tais como muros e paredes (Congresso Brasileiro de Parasitologia Veterinária & I Simpósio Latino-Americano de Ricketisioses, Ouro Preto, MG, 2004. Rev. Bras. Parasitol.Vet., v.13, suplemento 1, 2004).


Carrapato vermelho do cão ou carrapato estrela



CONTROLE

Para controlar o R. sanguineus, pode-se atuar diretamente no hospedeiro, onde estarão 5% dos carrapatos em um determinado instante, ou/e no ambiente, onde se encontram os 95% da população de carrapatos neste mesmo instante. Logicamente, se o objetivo maior é controlar a infestação sobre os cães, podendo-se às vezes até eliminá-la, o alvo principal do controle volta-se para aqueles 95% da população que se encontram no ambiente.

DOSES E MANEIRA DE UTILIZAR

CARRAPATOS: Os resultados de pesquisas apontam para a maior eficiência do óleo de neem quando comparado ao extrato alcoólico ou aquoso.
Em estudo utilizando óleo emulsificado no controle de Rhipiceephalus sanguineous (Deore M.D.: Effects of emulsified neem oil on ticks & flies in dogs. National Conv. Vet. Pharm. India 1995) mostrou-se diferenças importantes na dose letal para carrapatos em fêmeas ingurgitadas (16%), machos (8%) e larvas(1%) e no número de dias requerido para a mortalidade de fêmeas ingurgitadas (9 dias), machos (3 dias) e larvas (24 horas).
Utilize a dosagem indicada pelo fabricante e procure produtos de origem orgânica.

SARNAS: utiliza-se sobre a forma de pasta em concentrações de 10 a 20%, cobrindo a área afetada. Os efeitos aparecem já à partir do 4º. dia de utilização.

MOSCAS: aplicação do óleo a 0,6% (6 ml/litro de água) no solo.
Nas dermatites por picadas de moscas, em cães, misture 1:5 óleo de neem em vaselina e passe nas orelhas

Os produtos disponibilizados na loja virtural do Bicho Integral são feitos com extrado
das folhas do neem e por isso não  deixam os peludos oleosos!


PARTICULARIDADES DO NEEM

A azadiractina apresenta efeito residual por 3-7 dias, deve-se aplicá-la 1 vez por semana, tanto no ambiente quanto no animal.

As aplicações devem ser feitas no final da tarde, pois a atividade da azadiractina pode ser reduzida a aproximadamente 60% após a exposição à luz solar por 4 horas.

No animal, ele permanece sobre a superfície matando os insetos por contato. Portanto, após o banho deve ser aplicado novamente.

http://bit.ly/neemconcentrado



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS:
http://www.bioneem.com.br/
http://www.iapar.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=410
http://www.isah-soc.org/documents/2005/sections/46_vol_1.pdf
http://www.ibb.unesp.br/servicos/publicacoes/rbpm/pdf_v9_n3_2007/artigo1_v9_n3.pdf
https://sec.sbq.org.br/cdrom/30ra/resumos/T0489-2.pdf
http://www.pvb.com.br/pdf_artigos/01-07-2008_00-19Vet%20468.pdf
http://www.scielo.br/pdf/ne/v35n2/30044.pdf
http://www.academicjournals.org/AJB/PDF/pdf2007/18Oct/Makeri%20et%20al.pdf
http://sbrtv1.ibict.br/upload/sbrt5911.pdf?PHPSESSID=6aa56910df57f5c60f1bee9de0deeaf0
http://www.institutooikos.org.br/files/Pesquisas/Neem_Geral.pdf
http://www.latamjpharm.org/trabajos/24/1/LAJOP_24_1_7_1_3E9IR6431G.pdf
http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=2100
http://hillagric.ernet.in/education/covas/vpharma/winter%20school/lectures/37%20herbal%20ectoparasiticidal%20drugs.pdf
http://www.rbpv.ufrrj.br/documentos/13supl.12004/pe13s1123_124.pdf
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