quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Leishmaniose Visceral - Em busca do entendimento

Prezados leitores, clientes e amigos, depois do Seminário do último sábado, sinto-me mais confortável em falar sobre o assunto Leishmaniose Visceral (LV) pois até então, confesso, nunca havia me aprofundado no assunto por estar longe dessa realidade. Agora , com a proximidade dos casos e os questionamentos que venho recebendo, é necessário esclarecer alguns pontos sobre a doença.




-Em primeiro lugar, importante ressaltar, que a Leishmaniose é uma doença VETORIAL e não infecto-contagiosa. Isso significa que é necessário um vetor, nesse caso o mosquito Lutzomyia longipalpis, ou simplesmente mosquito palha e que o contato direto com o cão atravéz do toque, do abraço, lambidas ou quaisquer secreções, por si só não contamina o humano. Existem evidências da capacidade do carrapato Rhipicephalus sanguineus também participar como vetor na transmissão da LV.

-O cão funciona como reservatório da doença, assim como o homem, canídeos silvestres como o cachorro do mato, marsupiais como o gambá, ratos, morcegos e provavelmente outros mais. Também existem relatos de casos de LV em felinos, com incidência rara mas já relatada.



- Os sinais clínicos nos cães são emagrecimento progressivo, normalmente com apetite normal, lesões escamativas/crostosas/ulseradas de pele em região de orelhas, cabeça, pescoço; crescimento excessivo de unhas, aumento de órgãos internos (baço e fígado) e linfonodos, insuficiência renal. São muito variáveis e podem vir a surgir somente após anos de silêncio, quando a imunidade do indivíduo está abalada.
-Não existe correlação espacial entre a incidência de LV humana com a soroprevalência canina e não há risco significativo de coabitação com cães para aquisição de LV, ou seja, o fato de haver cães soropositivos numa determinada região não aumenta os casos de LV em humanos da mesma região.




- Os testes sorológicos aplicados aos cães para diagnosticar a LV são pouco eficientes. Tanto o RIFI (Reação de Imunofluorecência Indireta) quanto o Eliza apresentam grande freqüência de falsos soropositivos ( resultado positivo equivocado) e falsos soronegativos (resultados negativos equivocados). Animais soropositivos nestes testes podem apresentar tal resultado em decorrência de reação cruzada dos testes com outras doenças como erlichiose, sarna demodécica, babesiose, pênfigo e leishmaniose tegumentar , por exemplo. Testes sorológicos positivos apenas demonstram que o animal esteve em contato com o parasita, mas curas espontâneas foram relatadas e portanto, não são elucidativos.

- Reação em Cadeia de Polimerase (PCR) é um teste que avalia a presença de material genético do parasita (DNA). Vários estudos demonstram que a PCR é altamente específica e mais sensível que as sorologias. A PCR pode ser utilizada em qualquer amostra biológica, incluindo pele, sangue, biópsia de linfonodo e medula óssea. Reações falso-negativas podem ocorrer quando a quantidade de DNA está abaixo da sensibilidade de detecção do teste.
- Apenas o exame PARASITOLÓGICO direto é capaz de diagnosticar verdadeiramente a LV nos cães. O exame direto é baseado na pesquisa da Leishmania em aspirado de lesões cutâneas, medula óssea, linfonodo, baço ou raspado das bordas das lesões. Neste exame é feita a pesquisa direta das formas amastigotas do parasita. Trata-se de um teste de alta especificidade, ou seja, uma vez visualizado o parasita não há dúvidas quanto à positividade da amostra. Todavia, o Exame Parasitológico Direto está sujeito a resultados falso-negativos, especialmente nos casos em que a parasitemia (quantidade de parasitas circulantes) é muito baixa e/ou quando a coleta e o material coletado são inadequados. Portanto, resultados negativos não são confirmatórios.




- Os sinais e sintomas clínicos, nesses casos, são soberanos sobre os exames negativos. Os exames devem ser repetidos em 30 dias.

- O Brasil é o único país do mundo que EUTANASIA cães para o pretenso controle da Leishmaniose Visceral (veja a portaria). Eutanasiam baseados nos exames sorológicos, que acabamos de ver, podem ser falso positivos e falso negativos. Portanto, outros testes devem ser efetuados antes de assinar o atestado de óbito de qualquer cão. Se o seu cão apresentou-se positivo nos primeiros exames (RIFI e Elisa), faça a contraprova com PCR e Parasitológico!!!!!
- Não existem evidências científicas de que a eutanásia canina diminua a incidência da doença, pelo contrário, há publicações e ensaios em que se verificou que essa medida isolada não reduz a incidência da doença na população humana.



- E se for POSITIVO? Existe tratamento? Existe tratamento sim, é efetivo, leva a cura clínica, mas não parasitológica e por isso o cão deve ser submetido a exames específicos à cada 3 meses para o controle da doença. Só que para isso, por conta de uma portaria , há a necessidade do cuidador mover uma ação de antecipação de tutela, mandato de segurança preventivo (no caso do veterinário) ou civil pública (no caso de associações). Após garantir o direito de tratar o seu animal deve buscar um veterinário que também tenha tido tal interesse e movido uma ação que garanta a ele o direito de tratar os animais. O veterinário deve efetuar um termo de compromisso com o proprietário que deve estar ciente dos custos do tratamento, dos exames trimestrais, dos cuidados relacionados a proteção do cão portador , com repelentes. Este proprietário/cuidador deve ser informado de que, caso não compareça aos retornos trimestrais, não efetue os exames necessários para o controle do paciente, haverá notificação a secretaria de saúde/controle de zoonoses e à partir daí, eles serão os condutores do caso. Veja aqui o que a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Florianópolis divulgou como procedimento padrão em caso de suspeita da doença.
- O profissional veterinário que assumir o tratamento de seus pacientes deve estar ciente da sua responsabilidade em instruir e orientar quanto aos cuidados que devem ser tomados com o ambiente e o animal a ser tratado, garantindo assim a certeza de ausência de riscos a saúde pública .
- Após o tratamento eficiente, o animal continua na condição de portador, mas não é mais considerado infectante pois há uma diminuição acentuada na carga parasitária. Esta pequena, mas constante carga parasitária faz com que este indivíduo esteja constantemente em estado de premunição, ou seja, o mantêm produzindo anticorpos sem apresentar sintomatologia clínica.
- A posição oficial dos órgãos de saúde é unânime em todo o território nacional e determina que os animais soropositivos sejam eutanasiados, mesmo que não apresentem sinais ou sintomas clínicos da doença, sem a necessidade de contraprova, segundo eles e caso o proprietário/cuidador não exerça pressão nesse sentido. Portanto garantam os seus direitos de poder tratar seus animais caso a doença apareça. Há um texto farto de informações sobre considerações jurídicas aqui
Somente uma ordem judicial pode obrigar um cidadão a abrir sua porta e deixar que se colete material de seu animal.
Ao meu ver, a eutanásia, no caso da leishmaniose especificamente, é uma questão que só o cuidador pode determinar. Os cuidados com o portador são para o resto da vida dele. Portanto, se você o ama e vai arcar com todos os custos de exames periódicos, medicamento e idas e vindas ao veterinário, além de uma alimentação de qualidade,tudo com muita responsabilidade, vale a pena comprar a briga. Caso contrário você pode estar colocando em risco a vida de outros tantos seres.



- A profilaxia deve ser o foco nesse momento a fim de evitar novos casos em cães e futuros casos em humanos. Muitos são os repelentes que podem ser usados, desde a coleira excalibur, passando por inseticidas a base de cipermetrina (em poor-on e solução para pulverização), deltametrina e permetrina (pulverização ambiental e em cães), pulvex, citronela e neem http://migre.me/j1y00.
Como já sabem os meus leitores e clientes, não sou adepta dos produtos que podem gerar toxicidade aos animais, aos humanos e ao ambiente, daí minha preferência aos produtos naturais como neem http://migre.me/j1y00 e citronela http://migre.me/j1y6Y que devem ser utilizados diariamente, quando o entorno estiver nas proximidades de matas e áreas rurais onde o mosquito prolifera em seu ambiente preferido, rico em matéria orgânica. O mosquito tem sua atividade mais concentrada no horário do final da tarde e no início da manhã e portanto nesse horário os repelentes devem ser aplicados, os animais devem ser recolhidos, preferencialmente a locais telados (tela fina, pois ele é minúsculo), nesses horários. Nos batentes de portas e janelas, nas casas e canis, embaixo de camas, dentro de armários, no madeiramento das construções também deve-se passar inseticidas à cada 30 dias.




Outras formas de repelir insetos de forma natural são a ingestão de alho crú e levedo de cerveja junto a alimentação diária dos animais. Você também pode plantar ervas aromáticas ao redor da casa e do canil: citronela, coentro, erva de são-joão, pimenteiras e muitas outras.
Nunca tratei nenhum caso de Leishmaniose pois nunca morei em áreas de ocorrência, mas acredito que dentro da linha integralista, a abordagem seria complementar ao tratamento convencional, buscando melhoria da imunidade ( http://migre.me/j1ypT ; http://migre.me/j1yvV; http://migre.me/j1yyX ), utilização de nosódios ( em farmácias de manipulação homeopática), nutracêuticos, adaptógenos, alimentação de boa qualidade e homeopatia, é claro!!!!




Quanto às vacinas, existem sim, mas há polêmica no assunto, elas não estão disponíveis em todo o território nacional e eu prefiro me informar melhor sobre o assunto pra poder falar sobre isto. Depois farei uma complementação nesta postagem.


SITES COM MATERIAL DE QUALIDADE SOBRE O ASSUNTO:
http://www.blog.villechamonix.com
http://www.maedecachorro.com.br
http://www.fielamigo.com.br/trata/
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Sete vantagens do Uso da Homeopatia em Veterinária:

1. Não requer experimentação cruenta em animais.

2. Não utiliza drogas de elaboração industrial, artificial, tóxicas e/ou contaminantes.

3. Pode prescindir de vacinas ou outros meios artificiais para a prevenção das chamadas enfermidades contagiosas evitando assim, muitas vezes, sérios efeitos colaterais negativos.

4. Promove de forma terapêutica e favorece ideologicamente mudanças de atitude vital, tanto dos pacientes quanto dos terapeutas e cuidadores, ajudando na construção de um mundo melhor.

5. Custo baixo!

6. Trata surtos epidêmicos em populações tanto de forma profilática quanto terapêutica.

7. Ao reequilibrar a energia vital do enfermo atua sobre o organismo como um todo (holos) melhorando não só os sintomas físicos como também os mentais, melhorando as relações com o ambiente, os sofrimentos, os medos, etc.