domingo, 7 de novembro de 2010

Cuidados Paliativos em Pacientes Veterinários Terminais



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Os cuidados paliativos são aqueles dispensados aos pacientes com problemas decorrentes de doenças prolongadas, doenças crônicas graves, degenerativas terminais, incuráveis e progressivas, como câncer, insuficiência renal crônica e insuficiência cardíaca progressiva, dentre outras.
Os pacientes terminais necessitam de cuidados integrais por horas, dias, semanas ou meses, na tentativa de prevenir a dor, o sofrimento físico e o desconforto. A melhoria da qualidade de vida do paciente, no tempo que lhe resta de sobrevida, reflete-se também sobre o cuidador, preocupado com o sofrimento de seu ente peludo querido.

O principal objetivo dos cuidados paliativos em doentes terminais é justamente o de acrescentar qualidade de vida aos dias restantes, e não dias à vida. O objetivo de curar é substituído pelo foco na prevenção e no alívio do sofrimento e da dor, no carinho e na atenção dispensados em confortar e promover o bem estar.

Quando hospitalizamos nossos animais terminais, em tentativas terapêuticas obstinadas de retardar a morte, submetendo-os a tratamentos muitas vezes inúteis, de forma não intencional, sem aliviar seu sofrimento, afastando-os de seus domínios, de seus territórios, do aconchego e do convívio com seus “familiares” de duas ou quatro patas, estamos praticando a chamada distanásia (morte lenta com sofrimento). Já a eutanásia, caracteriza-se por ato médico que tem a finalidade de eliminar a dor e o sofrimento gerados pela doença incurável, através da morte assistida de seu portador. Ortotanásia é o termo utilizado para designar a morte no seu tempo certo, sem tratamentos desproporcionados e sem abreviação do processo de morrer. É a chamada morte boa, em casa, entre os seus, de forma natural, tranqüila, sem dor ou sofrimento. É sobre esta morte que vamos falar.

Ao supormos que não há mais nada a fazer pelo paciente sem possibilidades de cura, imediatamente surge a idéia da eutanásia, tanto pelo cuidador quanto pelo veterinário. Esta abreviação da vida de nossos companheiros peludos abrevia também uma etapa do existir da qual faz parte o morrer, pertencente ao paciente terminal, assim como da etapa do cuidar pertencente ao cuidador. A morte, antes encarada como fase natural da vida, assistida pelos entes querido, no aconchego do lar e cercada de cuidados, hoje toma uma proporção diferenciada na vida das pessoas a medida que resolve-se praticar a eutanásia ao mínimo sinal de doença sem prognóstico.
Não estamos falando aqui de deixar nossos amigos padecerem com dores e desconforto. Estamos sim, questionando a eutanásia como único caminho quando temos um paciente terminal.



Então falemos de sofrimento e dor...
Como podemos identificar dor e desconforto em nossos amigos? Não é fácil pois não há expressão verbal de sensações e desconforto, eles não falam. Então como saber? Além da observação clínica do médico veterinário, as informações precisas do cuidador/observador no que se refere ao comportamento do animal e suas alterações, podem nos dizer quase tudo. Por exemplo, em caso de dores reduzidas ou desconforto leve, observamos pouquíssimas alterações comportamentais, sendo que alguns animais se afastam dos seus entes queridos, outros ficam visivelmente mais próximos, como se buscassem apoio e conforto, mas há, evidentemente “algo sutilmente diferente”. Podem ou não apresentar episódios de anorexia, onde em um dia não tem interesse em comer, no outro já estão com um apetite normal, mas são episódios isolados, sem grande freqüência. Na dependência da patologia que os aflige, apresentam sintomas isolados como diarréias, micções com sangue, dificuldades em locomover-se, etc., mas sempre em episódios não continuados ou uma sintomatologia leve, transitória.

Já as dores moderadas, manifestam alterações comportamentais inespecíficas, como ausência de apetite ou redução deste, associados ou não a dificuldade ou incapacidade em engolir, prostração, desinteresse sobre coisas que antes o interessavam muito, sintomas específicos dos órgãos afetados e que nem sempre são amenizados com facilidade como na fase anterior.

Conforme aumenta o grau de dor e desconforto, podemos observar vocalização (gemidos,choros, uivos ou gritos), batimentos cardíacos acelerados (taquicardia), movimentos respiratórios acelerados (taquipnéia) ou superficiais, irregulares e dificultosos, dilatação pupilar (midríase), salivação excessiva, náuseas e vômitos, diminuição da quantidade e freqüência de micções (diurese diminuída) ou incontinência urinária e fecal, extremidades frias, alterações na coloração da pele (azulada ou pálida) inquietação ou confusão e desorientação intensas ou no outro extremo, prostração absoluta com olhar perdido e estado de ausência.

O primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticos do Brasil, na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, coordenado pela Dra. Denise Fantoni (minha querida colega de turma), desenvolveu um questionário aplicado aos cuidadores com o intuito de avaliar a qualidade de vida do animal e desta forma ajudar nos cuidados paliativos, introdução de medicamentos no controle da dor, controle de doses mais apropriadas, tudo com a finalidade de minimizar o sofrimento dos doentes terminais. Essa mudança de paradigma é inovadora, dentro da medicina tradicional e vale aqui deixar expressa minha admiração pelo trabalho da equipe. Saiba mais sobre o ambulatório e sua filosofia, aqui.

AVALIAÇÃO
Este é o questionário aplicado pelos veterinários do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP. Ele ajuda a melhorar a qualidade de vida dos animais
1. Você acha que a doença atrapalha a vida do seu animal?
2. O seu animal continua fazendo o que gosta (brincar, passear…)?
3. Como está o temperamento do seu animal?
4. O seu animal manteve os hábitos de higiene (lamber-se, por exemplo)?
5. Você acha que o seu animal sente dor?
6. O seu animal tem apetite?
7. O seu animal se cansa facilmente?
8. Como está o sono do seu animal?
9. O seu animal tem vômitos?
10. Como está o intestino do seu animal?
11. O seu animal é capaz de se posicionar sozinho para fazer as necessidades fisiológicas?
12. Quanta atenção o animal está dando para a família?
Fonte: http://www.fisioanimal.com/2010/05/bem-estar-e-qualidade-de-vida-para-pacientes-terminais/

Como aliviar dor e desconforto ?
Proporcionando conforto, aconchego, atenção e analgesia.
Além de analgésicos, alguns medicamentos homeopáticos, quando bem escolhidos aliviam a dor de forma muito eficiente. A acupuntura, massagens, drenagem linfática e a fisioterapia também apresentam-se como ferramentas muito eficazes nesse processo. O alívio de tensões, dores, estresse e edema linfático, proporcionam conforto e melhoria no bem estar trazendo qualidade de vida e de morte.



Medicamentos homeopáticos bem escolhidos, baseados nos sintomas típicos e peculiares de cada paciente, em cada momento dessa fase crítica, expresso por sinais específicos daquele paciente, naquele momento, podem amenizar a dor e o sofrimento do paciente terminal. Nesta fase, os dados constitucionais do paciente, que no tratamento homeopático das doenças crônicas são tão importantes , deixam de ser prioritários e os sintomas atuais, referentes ao quadro atual do paciente, ganham importância no alívio dos sintomas. As mudanças sintomáticas devem ser observadas a fim de selecionarmos uma seqüência medicamentosa em conformidade com os sinais e sintomas que vão surgindo. Muitas vezes o alívio do desconforto é imediato e prolonga-se até o fim. Outras vezes, este alívio é passageiro e necessitamos outros medicamentos baseados em novos sinais que vão surgindo. Ao utilizarmos o estímulo do medicamento homeopático, baseado nos sinais do momento clínico atual, estimulamos uma reação secundária do organismo que mobiliza o restante de sua energia vital no sentido de proporcionar um retorno ao bem estar, a um novo equilíbrio, mesmo que passageiro. O que advêm em seguida é muito semelhante ao apagar de uma vela, que queima até o final e se apaga, consumindo todas as suas reservas, de forma serena e natural. Em homeopatia, ao utilizarmos as peculiaridades de cada processo de morte individual na busca do medicamento mais apropriado para cada indivíduo neste momento, podemos propiciar uma morte digna,respeitando a fragilidade de cada ser, com o mínimo de sofrimento e dor, com naturalidade, delicadeza e sem a urgência de uma morte antecipada.

Estes cuidados paliativos feitos com homeopatia, promovem alívio sem a pretensão de curar mas sim, com o intuito de minimizar sofrimentos, melhorando a qualidade de vida e de morte de nossos pacientes peludos. Esta postagem tem por finalidade alertar aos cuidadores e veterinários que existem sim formas mais amenas e serenas de encarar o processo de morte sem a necessidade de abreviar vidas, em todos os casos, como forma de resolver situações desconfortáveis para todos.
Cuidar de um paciente terminal exige muito mais do que conhecimentos científicos e técnicos. Exige a compreensão do processo de vida, da individualidade do ser, do seu valor único e o conhecimento do processo de morte.

Não podemos esquecer que todas as formas de vida que conhecemos apresentam início, meio e fim, no corpo físico que conhecemos, e que ao proporcionarmos uma vida saudável, plena e de acordo com a natureza da espécie em questão, estaremos também minimizando efeitos dramáticos no final de cada existência. Reconhecer a proximidade da morte, compreender o seu papel nas nossas vidas enquanto responsabilidade pessoal e social, entender que morrer é um processo natural e que faz parte do nosso aprendizado, prepara-nos com serenidade para esse momento inevitável e faz dele uma despedida menos dolorosa e cercada de boas e eternas lembranças.

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Sete vantagens do Uso da Homeopatia em Veterinária:

1. Não requer experimentação cruenta em animais.

2. Não utiliza drogas de elaboração industrial, artificial, tóxicas e/ou contaminantes.

3. Pode prescindir de vacinas ou outros meios artificiais para a prevenção das chamadas enfermidades contagiosas evitando assim, muitas vezes, sérios efeitos colaterais negativos.

4. Promove de forma terapêutica e favorece ideologicamente mudanças de atitude vital, tanto dos pacientes quanto dos terapeutas e cuidadores, ajudando na construção de um mundo melhor.

5. Custo baixo!

6. Trata surtos epidêmicos em populações tanto de forma profilática quanto terapêutica.

7. Ao reequilibrar a energia vital do enfermo atua sobre o organismo como um todo (holos) melhorando não só os sintomas físicos como também os mentais, melhorando as relações com o ambiente, os sofrimentos, os medos, etc.