domingo, 29 de maio de 2011

Autohemoterapia em animais: pouco uso e muita controvérsia


Há uma marcante e crescente tendência do meio médico e acadêmico em só avalizar ou legitimar tratamentos após pesquisas e publicações científicas. Não sou contra pesquisas e publicações científicas, pelo contrário, é só olhar no site Bicho Integral e ver a quantidade de trabalhos científicos que disponibilizo sobre terapêuticas naturais para quem quiser se aprofundar nessa prática. Agora, se a falta de interesse na pesquisa for em função do tratamento não reverter em lucros magníficos para algum laboratório ou conglomerado econômico ou de classe, faremos nossas próprias estatísticas clínicas, com empirismo sim!! Não falamos de experimentação desmedida, falamos de experienciar o que outros já fizeram e testar seus resultados, sem colocar em risco a integridade dos pacientes. Alguns resultados são iguais ou melhores que as terapêuticas usuais, então porque não usá-los? Com cuidado e bom senso, uma boa dose de pesquisa e experiência pessoal,
pode-se fazer uma medicina mais natural, menos agressiva, efetiva e eficaz.
A autohemoterapia é uma dessas terapêuticas controversas com algumas experiências mas com poucos trabalhos científicos sérios. Por esse motivo extremamente desvalorizada e inclusive proibida de ser praticada no Brasil, por médicos e enfermeiros. Na veterinária ainda se permite utilizá-la. Falemos um pouco dela:
Foi introduzida como terapêutica por volta de 1910, pelo médico francês Ravaut na tentativa de auxiliar no combate a febre tifóide. Até hoje tem tantos seguidores, silenciosos ou não, utilizando-a no tratamento de homens e animais que parece merecer um crédito, uma atenção especial para que se possa embasar e disseminar a experiência de alguns profissionais, médicos, enfermeiros e veterinários, que a utilizam e obtêm bons resultados.

A autohemoterapia é um recurso terapêutico de baixo custo e de simples aplicação, composto da retirada de sangue venoso do paciente, seguido de sua inoculação muscular, no mesmo paciente, momentos depois através de injeção. Os produtos da degradação eritrocitária (das hemácias) do sangue injetado no músculo, produziriam alguns estímulos inespecíficos para que o organismo ativasse o sistema imunológico, potencializando a sua ação através da ativação do Sistema Mononuclear Fagocitário (SMF) composto basicamente por baço, linfonodos, timo e medula óssea e responsável pela imunidade celular do organismo. Alguns estudos sugerem um aumento no número de células chamadas de macrófagos em até quatro vezes, como resposta a terapêutica. Macrófagos são células responsáveis pela limpeza do organismo através da fagocitose(captura) e digestão de células estranhas ao organismo e também pela apresentação dos antígenos da partícula fagocitada ao restante do sistema imune. O aumento desta imunidade inespecífica é sempre muito bem vindo quando tratamos de doenças de fundo alérgico, parasitário, infecciosas, neoplásicas, degenerativas e auto-imunes, seja no início das patologias, na evolução, no controle ou na cura delas.



Esta terapêutica ainda pouco pesquisada e explorada, mas muito condenada pelos Conselhos Federais de Medicina e Enfermagem, encontra em alguns poucos estudos e publicações resultados que apontam para a participação preponderante da fração celular do sangue na resposta imunomodulatória desta terapêutica. No estudo preliminar do Dr. Flávio Alves Lara, microbiologista do Laboratório de Microbiologia Celular do Instituto Oswaldo Cruz, encontramos novas evidências da eficácia da autohemoterapia como ferramenta terapêutica imunomodulatória. Neste estudo, resultados iniciais apontam para a participação preponderante da fração celular do sangue no estímulo ao sistema imune, em detrimento da fração plasmática e do componente heme do sangue. Apresentamos resumidamente alguns dos poucos trabalhos que tivemos acesso sobre o assunto, a seguir:

ECTIMA CONTAGIOSO EM UM REBANHO OVINO E TRATAMENTO COM AUTOHEMOTERAPIA OU
IODO. VERÍSSIMO, C.J.; KATIKI, L. Instituto de Zootecnia, Nova Odessa, SP. E-mail: cjverissimo@iz.sp.gov.br.
Neste estudo quatorze ovelhas receberam o tratamento de autohemoterapia com 5 ml de sangue 1x/semana e 16 ovelhas receberam o tratamento convencional com glicerina iodada à cada 48 horas tendo como resultado que nenhum animal de ambos os grupos apresentou piora do quadro sendo que de um modo geral houve acentuada melhora na primeira semana de tratamento e regressão total das lesões em duas semanas em ambos os grupos, sendo que a autohemoterapia exigia manipulação dos animais apenas 1 vez a cada 7 dias e na terapia local com iodo glicerinado foi necessário manipular os animais 3x/semana.


AUTOHEMOTERAPIA, VINCRISTINA E ASSOCIAÇÃO DOS DOIS TRATAMENTOS NO TUMOR VENÉREO TRANSMISSÍVEL CANINO - KARINA OLIVEIRA DRUMOND –
Neste trabalho avaliou-se o comportamento do tumor venéreo transmissível, de ocorrência natural, utilizando-se 3 terapêuticas diferentes com vincristina (o famoso Oncovin), com auto-hemoterapia e com a combinação de ambos em 16 cadelas divididas aleatoriamente nestes 3 grupos, tratadas 1 vez por semana por 7 semanas. Concluiu-se que além de não acarretar efeitos colaterais, a autohemoterapia promoveu regressão macroscópica parcial da massa tumoral em 50% dos animais submetidos a esse tratamento, justificando o aprofundamento de pesquisas na área.

AUTOHEMOTERAPIA MAIOR OZONIZADA NO TRATAMENTO DE
ERLIQUIOSE CANINA – RELATO DE CASO.
GARCIA, C.A. , STANZIOLA, L. ,ANDRADE, I. C. V., NAVES, J. H.F.,
NEVES, S. M. N., GARCIA, L. A. D.
Neste relato de caso usou-se uma variação da autohemoterapia, utilizada junto com Ozônio na mesma aplicação, sendo que nesta variação da técnica a reinoculação do sangue ozonizado é feita novamente na veia do animal. O paciente, uma cadela com diagnóstico laboratorial de erlichia sp.. sofreu 10 sessões de autohemoterapia maior ozonizada com aumento significativo de suas células de defesa e negativação do exame laboratorial.

EFICIÊNCIA DA REPETIÇÃO DE DIFERENTES PROTOCOLOS DE
TRATAMENTOS PARA PAPILOMATOSE BOVINA
Luiz Antônio Franco da Silva; Antônio Carlos Cordeiro Veríssimo; Paulo Roberto Lucas Viana Filho;Maria Clorinda Soares Fioravanti; Durvaldo Eurides; Guido Coelho Fontgalland Linhares; Alana Flávia Romani; Bruno Rodrigues Trindade
Neste estudo foram utilizados diferentes protocolos de tratamento na clínica de bovinos portadores de papilomatose (verrugas). Os protocolos incluíram autovacina, autohemoterapia, tratamento medicamentoso com duas drogas de uso comum, combinação de autovacina e autohemoterapia, autovacina e medicações, autovacina com autohemoterapia e medicações, num total de 10 grupos com diferentes protocolos. O número de bovinos avaliados foi de 259 e a autohemoterapia apresentou 26,19% de recuperação, sendo que o melhor resultado do estudo ocorreu com a autovacina em um percentual de 50% de recuperação.

AUTOHEMOTERAPIA COMO TERAPIA AUXILIAR NO TUMOR VENÉREO TRANSMISSÍVEL (TVT)
Fábio Borges de Souza
Neste estudo de caso utilizou-se a autohemoterapia no tratamento de uma cadela com TVT e os resultados obtidos indicaram que este tratamento pode ser utilizado para essa neoplasia, diminuindo o número de doses de sulfato de vincristina necessárias para a resolução do processo.

Alguns desses trabalhos estão linkados em nosso site Bicho Integral http://bit.ly/autohemoteraiaBI




Faz-se importante ressaltar que, na minha prática clínica tenho utilizado com certa freqüência esta terapêutica, associada ou não a outras formas de tratamento, com resultados que variam da excelência a mediocridade, dependendo da patologia visada e principalmente da energia vital daquele indivíduo em especial. Observei resultados maravilhosos no controle de hemorragias uterinas, infecções e alergias de pele, papilomatose, otohematomas, cicatrização e prevenção de infecções pós operatórias, assim como no câncer benigno de pele ; resultados moderados porém não menos interessantes em atopia, sarna demodécica, TVT, erlichiose e cinomose; e resultados dramáticos em pacientes terminais de câncer onde houve uma aceleração da doença com crescimento e disseminação dos tumores e nódulos, mas isso na minha prática pois outros veterinários que utilizam a técnica já me disseram que tem resultados excelentes em pacientes com câncer.

Apesar de ser um método seguro, não está isento de complicações e por isso deve ser sempre acompanhado por profissional capacitado, sob condições adequadas de assepsia e biosegurança.
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Sete vantagens do Uso da Homeopatia em Veterinária:

1. Não requer experimentação cruenta em animais.

2. Não utiliza drogas de elaboração industrial, artificial, tóxicas e/ou contaminantes.

3. Pode prescindir de vacinas ou outros meios artificiais para a prevenção das chamadas enfermidades contagiosas evitando assim, muitas vezes, sérios efeitos colaterais negativos.

4. Promove de forma terapêutica e favorece ideologicamente mudanças de atitude vital, tanto dos pacientes quanto dos terapeutas e cuidadores, ajudando na construção de um mundo melhor.

5. Custo baixo!

6. Trata surtos epidêmicos em populações tanto de forma profilática quanto terapêutica.

7. Ao reequilibrar a energia vital do enfermo atua sobre o organismo como um todo (holos) melhorando não só os sintomas físicos como também os mentais, melhorando as relações com o ambiente, os sofrimentos, os medos, etc.