domingo, 13 de novembro de 2011

Automutilação em Aves e o Tratamento Homeopático


Em aves, a automutilação caracteriza-se inicialmente por arrancamento de penas que se inicia normalmente como uma limpeza excessiva das penas, passando a arrancá-las e podendo evoluir para lesões na pele e músculos, chegando ao extremo de dilacerar membros inteiros, tudo isso infringido através de seus bicos aguçados.

Esta não é uma afecção exclusiva das aves, sendo encontrada em várias espécies animais como cães, gatos, eqüinos, bovinos, ovinos, animais silvestres, animais de laboratório e outros, mas apresentando em comum sempre a ocorrência de fatores predisponentes semelhantes, como manejo e instalações inadequadas, estresse (ruído, temperatura inadequada, superlotação, higiene precária das gaiolas ou viveiros), ausência de bem estar, ambiente pobre, ausência de relações sociais adequadas a cada espécie, mudanças de ambiente, perda de companheiros de convívio, ansiedade, privações (água, comida e companhia), presença de predadores nas proximidades ou até no mesmo ambiente, nutrição inadequada, parasitas, infecções, alergias e muitos outros fatores próprios a cada espécie. No fundo é tudo estresse e a automutilação seria uma das formas de reação a isso. Outras possíveis causas desse transtorno seriam as carências nutricionais, ectoparasitas como piolhos, e possivelmente processos alérgicos e frustrações sexuais.

No caso das aves, ocorre principalmente entre os psitaciformes como papagaios, araras, agapornes, calopsitas e outros, com incidência importante entre os animais criados em cativeiro. O fato desses animais viverem em bandos e necessitarem de seus companheiros de espécie para a limpeza de suas penas, alimentação compartilhada, vôos coletivos e todas as atividades desenvolvidas em grupo e estarem privados disso em cativeiro, mesmo que parcialmente, predispõe esses indivíduos aos muitos transtornos comportamentais próprios de animais criados em cativeiro.

Assista ao vídeo da Lia: bem que o Will tenta dissuadi-la, mas é ela que manda no pedaço!

Este processo de automutilação pode estender-se por meses e até anos, podendo inclusive e com frequência levar estes animais a morte decorrente de anemias severas por sangramentos crônicos ou infecções generalizadas via lesões infectadas. Além disso, a perda de peso devido a diminuição do apetite do animal e seu desconforto crônico, é evidente. É classificado como Transtorno Obsessivo Compulsivo (T.O.C). Ao bicar ou arrancar as penas há liberação de betaendorfinas que além de atuarem como anestésicos locais, dão sensação de prazer ao indivíduo, que propicia a continuidade da ação.

TRATAMENTO
O tratamento convencional para esse transtorno, além de polivitamínicos, vermífugos e parasiticidas de uso externo, assim como a melhoria geral do manejo e alimentação das aves, passa pela utilização de drogas psicoativas, como haloperidol e fluoxetina, hoje muito utilizadas em medicina veterinária (Leia mais aqui). A utilização de colares também é muito comum para evitar mecanicamente a automutilação.

O tratamento homeopático vem sendo utilizado com sucesso nos criatórios de aves, inclusive as comerciais, sempre sob orientação de um veterinário homeopata. Como já disse outras vezes aqui, a homeopatia unicista procura sinais e sintomas que caracterizem o indivíduo para tratá-lo como um todo e não apenas focando na sua patologia (leia mais aqui).


CASO CLÍNICO

Recentemente atendi a um pequeno criatório de aves em que uma calopsita chamada Lia, de aproximadamente 1 ano, me foi trazida para consulta devido ao fato de estarem surgindo gotas de sangue no chão da gaiola e ela estar arrancando algumas penas ao redor da cloaca. No início do processo suspeitamos de verminose ou mesmo de ovo retido. O primeiro medicamento homeopático utilizado não surtiu efeito. Os exames de RX e parasitológico de fezes não confirmaram as suspeitas iniciais. Com o passar das semanas e como resultado desse processo, a área ao redor da cloaca foi ficando muito avermelhada, ora com crostas, ora com sangramento. Além da medicação homeopática na água, utilizamos um gel de Aloe Vera, calêndula e hamamelis no local e Lia continuava perdendo peso, continuava a se mutilar e a sangrar.


Resolvi fazer um novo estudo das possibilidades medicamentosas e desta vez escolhi um medicamento que cobria além dos sintomas físicos de Lia, sintomas singulares referentes ao seu comportamento e a sua personalidade. Lia é uma mocinha de poucos amigos, que não gosta de ser perturbada, manipulada, é bem nervosinha, inquieta. A sorte dela é que tem um “maridinho” maravilhoso, Will, que vive lhe paparicando e agüenta o tranco do seu estado de ânimo pouco amistoso e crônico, é super sociável e totalmente do bem, além de apaixonadíssimo por ela. Todos esses fatores foram levados em consideração na nova escolha do medicamento homeopático e justamente por essa diferença grande entre os estilos de ser de ambos, Lia teve que ser medicada diretamente na boca pois se colocássemos o medicamento na água, Will iria tomar um medicamento não adequado a ele. Lia respondeu muito bem ao tratamento, restabelecendo-se totalmente em torno de 20 dias.


O ânimo ainda continua o mesmo, e por isso vamos continuar a tratá-la por mais algum tempo pra tentarmos minimizar seu sofrimento existencial !!! Ficam soltos a maior parte do seu tempo, tem acesso a área externa da casa, gaiola grande e boa alimentação. Melhor que isso só a vida livre, ideal, lá na Austrália, de onde se originaram.
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Sete vantagens do Uso da Homeopatia em Veterinária:

1. Não requer experimentação cruenta em animais.

2. Não utiliza drogas de elaboração industrial, artificial, tóxicas e/ou contaminantes.

3. Pode prescindir de vacinas ou outros meios artificiais para a prevenção das chamadas enfermidades contagiosas evitando assim, muitas vezes, sérios efeitos colaterais negativos.

4. Promove de forma terapêutica e favorece ideologicamente mudanças de atitude vital, tanto dos pacientes quanto dos terapeutas e cuidadores, ajudando na construção de um mundo melhor.

5. Custo baixo!

6. Trata surtos epidêmicos em populações tanto de forma profilática quanto terapêutica.

7. Ao reequilibrar a energia vital do enfermo atua sobre o organismo como um todo (holos) melhorando não só os sintomas físicos como também os mentais, melhorando as relações com o ambiente, os sofrimentos, os medos, etc.