Seu bicho tem otite? Entenda os porquês!



Coceira, vermelhidão, cheiro ruim, produção excessiva de cerúmen, dor, incômodo, sacudir de cabeça são alguns dos sintomas que podem estar associados a infecções de ouvido OU NÃO!
Muitos pacientes que recebemos no consultório apresentam problemas de ouvido crônicos e podemos até dizer que é uma das causas mais comuns que fazem os tutores nos procurarem para consulta.

Então vamos tentar entender os porquês?

Temos 3 tipos básicos de infecções de ouvido quanto pensamos em localização: Otite externa, média e interna.

Na otite externa há uma inflamação do tecido que reveste o ouvido externo - da orelha, passando pelo conduto auditivo externo e chegando até o tímpano e é nessa fração onde ocorrem a maioria das otites
Na otite média as estruturas envolvidas são martelo, estribo e bigorna e em torno de 50% dos cães que têm otite externa crônica podem desenvolver otite média com o passar do tempo e a perpetuação da inflamação

Na otite interna os tecidos atingidos são mais especializados e delicados onde se localizam os canais semicirculares, cóclea e o nervo acústico, diretamente ligados ao cérebro. A otite média não resolvida pode evoluir para uma otite interna que pode comprometer a orientação e o equilíbrio do animal.



QUAIS OS SINAIS?

Dor e inflamação nos ouvidos podem se manifestar de diversas formas:

- Balançando a cabeça insistentemente

- Esfregando as orelhas no chão, no tapete, no sofá...

- Coçando as orelhas com as patas de trás

- Orelhas vermelhas e quentes

- Com inclinação da cabeça para o lado afetado

- Com aumento da produção de cerúmen, com odor diferente nesse cerúmen

- Com presença de escamação na face interna das orelhas

Esses são alguns dos sinais que o seu bicho manifesta em casos de otites e nesses casos pode-se iniciar um tratamento mais natural antes de introduzir produtos polivalentes cheios de antibióticos, corticoides, anti-inflamatórios, anestésicos e analgésicos. Mas esses sinais e sintomas podem evoluir em casos mais crônicos ou mais graves para:

- Fechamento do canal auditivo por edema intenso causando estenose do conduto auditivo (obstrução pelo próprio tecido inflamado)

- Perda parcial ou completa da audição

- Alterações no equilíbrio e incoordenação motora

- Andar em círculos

Nesses casos mais complicados é muito importante buscar o auxílio do veterinário clínico para elucidar essas complicações


E quais os tipos de infecções de ouvido mais comuns?



As mais comuns:
- Infecções bacterianas e por leveduras – a microbiota natural do ouvido pode aumentar descontroladamente e esses microrganismos podem passar de comensais (em equilíbrio com o hospedeiro) à patogênicos num estalar de dedos.
Nas infecções bacterianas o cerúmen pode se apresentar amarelo esverdeado como pus e nas por leveduras (malassézia especialmente) escuras e com cheiro de fermento ou avinagrado

- ácaros – especialmente o Otodectes cynotis em cães, que causa a “sarna de ouvido”. Nesses casos a aparência do cerúmen parece café moído! São transmissíveis entre cães e entre cães e gatos! Coça e incomoda bastante!



- corpo estranho – sementes, matinhos, água, insetos, algodão (que solta na limpeza) – aqui só o veterinário deve retirar, ok? Não fique fuçando porque pode ser bem pior!





E como funciona a abordagem holística das otites?

Primeiramente temos que entender as causas possíveis desses transtornos para podermos agir de forma eficiente e assertiva.

Na abordagem holística entendemos que a infecção de ouvido é um sintoma guia, um sinal de que algo não anda bem no sistema, excluídas as causas traumáticas ou relacionadas com excesso de água em cães nadadores, já que nesses casos conseguimos relacionar o evento com uma causa recente.

Em uma sociedade moderna onde as alterações ambientais tóxicas associadas com o uso indiscriminado de medicamentos, inseticidas, vacinas, alimentos processados cheios de conservantes, corantes e outros aditivos, uma exposição constante e crescente a fatores estressores como confinamento, tédio, solidão, falta de exercícios físicos e o afastamento do natural para a espécie, fica fácil de entender porque o sistema imunológico desses animais pode ficar tão abalado e causar tantos transtornos orgânicos relacionados a ele.

Na tentativa de livrar-se dessa contaminação externa e suas toxinas, além das resultantes de desequilíbrios causados por doenças concomitantes, o organismo lança mão de órgãos responsáveis pela limpeza e eliminação do que não é bem-vindo, através de secreções e excreções, filtrações e descargas, seja pelos intestinos, pelo sistema urinário, pela  pele, pelos pulmões, pelas mucosas e pelos ouvidos, que são canais de comunicação entre o organismo e o exterior.

Durante esse processo de faxina orgânica surgem as descargas inflamatórias como o muco e o cerúmen, na tentativa de proteger os locais afetados e descarregar as toxinas ou patógenos para fora do sistema
Sob esse ponto de vista, essa tentativa de expulsar o que está causando as alterações é a linha de frente para a proteção orgânica, um processo de detoxificação muito bem vindo para os profissionais que tem o entendimento dessas reações de limpeza.

Dentro da abordagem holística esse processo então é interpretado como uma reação orgânica, assim como uma febre que tenta debelar uma infecção e que pode ser aproveitada no processo de cura
Nos tratamentos convencionais a preocupação está em apenas exterminar os microrganismos presentes em grandes quantidades, mas não explora as causas pelas quais esses organismos, que também estão presentes em ouvidos de cães e gatos sadios, estão se reproduzindo desordenadamente. ISSO MESMO! Staphylococcus sp. e Malassezia pachydermatis, patógenos mais frequentes nas infecções de ouvido, fazem parte da microbiota própria do ouvido de animais saudáveis e quando em desequilíbrio podem evoluir e perpetuar o quadro – a isso chamamos de DISBIOSE, e nesse caso específico, Disbiose auricular.


No caso dos tratamentos convencionais que já se iniciam com o uso de antibióticos mesmo no início das otites mais leves, fica claro o porquê de essas infecções serem cada vez mais frequentes e graves, já que esses microrganismos desenvolvem resistência aos antibióticos. Muitos protocolos estendem o tratamento do uso tópico para o uso sistêmico de antibióticos, modificando assim, além da microbiota do ouvido, também a microbiota intestinal (Leia sobre DISBIOSE)



Quando os sintomas são suprimidos, abafados, silenciados sem a correção das causas primárias através do uso exclusivo de antimicrobianos e corticoides, o problema se perpetua e fica mais difícil de encontrar um medicamento que realmente seja eficiente contra esses microrganismos, além deles causarem desequilíbrios e efeitos adversos em diversos órgãos e sistemas a médio e longo prazo, quando utilizados indiscriminadamente.
Ainda dentro da visão holística, acreditamos que as drogas supressoras de sintomas como antibióticos e corticoides podem levar a um aprofundamento das causas e por esse motivo a abordagem deve ser estudada cuidadosamente para evitá-la, para que não se repita e não possa se aprofundar em órgãos e sistemas mais vitais.


E quais seriam os motivos para esse desequilíbrio do microbioma do ouvido levando a infecções repetitivas?


- DIETA : o uso de alimentos processados (ração) com seus transgênicos, carboidratos refinados em excesso, conservantes, corantes e outros aditivos acabam por alimentar as leveduras naturais do organismo como a Malassezia, fazendo com que se reproduzam desordenadamente e causem inflamações locais e sistêmicas com muita facilidade. Esse processo pode evoluir para um intestino permeável que antecipa quadros alérgicos e de intolerância alimentar, que agravam mais ainda a tentativa orgânica de restaurar o equilíbrio.
Dietas caseiras frescas, balanceadas e apropriadas para a espécie em questão devem ser a primeira opção para restabelecer o equilíbrio orgânico e debelar as inflamações


-INTESTINO PERMEÁVEL: em um intestino inflamado, seja por dieta inadequada, excessos
medicamentosos, disbiose crônica, doença inflamatória intestinal e doenças autoimunes dentre outras, onde o revestimento intestinal está comprometido, há a passagem de partículas alimentares, bactérias e toxinas através da mucosa intestinal danificada, chegando essas partículas à corrente sanguínea causando complicações sistêmicas ou localizadas em órgãos e sistemas, causando ou intensificando doenças crônicas. O aumento da secreção auricular pode ser uma consequência desse desequilíbrio orgânico generalizado



- CONDIÇÔES ANATÔMICAS: quem já não ouviu falar que cães com orelhas grandes e caídas tem mais propensão a infecções de ouvido? O calor, a umidade e o aumento da produção de cerúmen causados pela falta de aeração local, nesses casos, podem ser tanto a causa como um fator de propagação para a infecção



- LIMPEZA EXCESSIVA: o cerúmen auricular tem como função proteger o conduto e trazer lá do fundo toda e qualquer impureza e jogá-la para fora! Portanto, limpeza em excesso com substâncias irritantes ou alergênicas podem transformar um processo fisiológico do organismo em uma porta de entrada para um problema maior. Deixe as orelhas em paz, use bom senso, limpe apenas quando for absolutamente necessário e apenas onde você enxerga! A limpeza profunda deve ser feita apenas pelo clínico veterinário.
Cães que vivem um estilo de vida mais natural têm menos probabilidade de desenvolver infecções no ouvido


-IMUNIDADE INCOMPETENTE

Um sistema imune enfraquecido ou hiperativo pode propiciar o aparecimento de sinais e sintomas que guiam o clínico para o entendimento de que essa imunidade precisa ser adequada.
Alergias e/ou sensibilidades alimentares e ambientais podem manifestar-se através de uma otite que normalmente é recidivante e pode estar associada a lambedura de patas e muco nas fezes por exemplo
Sendo o intestino a sede de 80% do sistema imune, um desequilíbrio no microbioma intestinal pode sim levar a quadros de otites recidivantes – DISBIOSE de novo!!!!




E que modificações podemos promover no estilo de vida dos nossos bichos para auxiliar nesses casos?

As mesmas que já falamos em vários outros posts por aqui:





- Mude a dieta do seu amigão para uma dieta caseira com ingredientes naturais, preferencialmente crús, orgânicos, balanceada por veterinário com atuação em nutrologia








- Retire inseticidas de uso contínuo (pipetas, comprimidos e coleiras antipulgas e carrapaticidas, são inseticidas sim!!!) substituindo-as por produtos naturais como homeopatias, fitoterapias e óleos essenciais. Cuidado com o que utiliza no ambiente também, lembre-se que eles andam descalços, deitam-se no chão e se lambem, produtos químicos ambientais podem ser extremamente tóxicos e desencadear reações alérgicas por contato




- Não vermifugue seu bicho com produtos comerciais de amplo espectro sem antes saber se há realmente necessidade de fazê-lo. Como saber? Faça um exame de fezes com 3 amostras em dias alternados à cada 4 meses em vez de sair vermifugando sem critérios! Vermífugos não são profilaxia/prevenção, são tratamento!





- Faça o Vaccicheck (titulação de anticorpos vacinais) e monte protocolos vacinais mais leves com o auxílio de um veterinário mais antenado com esse assunto!









- Reduza o estresse do seu cão, passeie mais, leve-o a uma creche ou daycare algumas vezes por semana se não puder levá-lo ao convívio com outros cães e aos exercícios necessários para o seu desenvolvimento e saúde física e mental!









- Dê probióticos a ele para recolonizar o microbioma afetado. Os probióticos naturais como kefir, rejuvelac e alimentos fermentados são opções eficientes e baratas que você mesmo pode fazer e suplementar. Para alimentar os probióticos utilize probióticos na dieta como chicória, banana, alho, batata yacon, aveia, repolho, acelga, bardana dentre outros




- Evite medicamentos pra tudo e qualquer coisa, tenha acesso a um profissional que trabalhe numa linha mais natural, muitas vezes uma dieta hipoalergênica, um jejum intermitente, um fitoterápico, homeopatia ou outras ferramentas naturais podem resolver múltiplos casos evitando super medicar!

- Faça um check up anual no seu bicho para investigar doenças sistêmicas que podem estar causando essa baixa imunitária como hipotireoidismo, doença inflamatória intestinal e doenças autoimunes por exemplo




Podemos tentar resolver algumas otites iniciais com procedimentos caseiros e naturais?

De forma preventiva e curativa nas otites externas, para cães que tem uma certa frequência de episódios de otites , você pode iniciar trilhando os passos acima, diminuindo fatores estressores e possíveis gatilhos.


PRODUTOS COMERCIAIS NATURAIS

Se e quando necessário, utilize medicamentos naturais à base de homeopatia como o Fator Infecções (via oral), Otocura (via oral) e Otocura Ex (uso local)  ou fitoterápicos como Limpa ouvidos de própolis verde daPropovets e os lenços otológicos da Vetfleur 

Alguns óleos vegetais como calêndula, camomila e girassolpuro ou ozonizado são opções bastantes interessantes para utilização na limpeza local ou como carreadores para outras substâncias

Óleos essenciais de melaleuca e lavanda também podem colaborar nas fórmulas caseiras


CHÁS

Ainda recomendo alguns chás como Malva (Malva sylvestris), Camomila (Matricaria recutita) e Chá verde (Camelia sinensis), todas com ações antissépticas e anti-inflamatórias importantes – faça uma infusão e use para limpar as orelhas quando necessário ou quando algum sintoma surgir, logo no início!

O Kombucha feito dessas ervas, assim como o kefir de leite e o de água usados por via oral e também local , têm uma ação incrível na regeneração do microbioma do ouvido por ser uma fonte de probióticos que competem com a microbiota alterada. Você pode usá-los na prevenção e também depois que a infecção estiver instalada e observar que ele tem uma ação eficiente no local

ÓLEO DE COCO

Pode ser utilizado para limpeza local ou como veículo para uma formulação mais completa, já que tem ação fungicida e bactericida
Alguns itens que podem ser acrescidos ao óleo de coco para potencializar a ação antimicrobiana são a própolis e alguns óleos essenciais como lavanda e melaleuca por exemplo

ALHO

Também tem importante ação antimicrobiana e pode ser utilizado seguramente em otites externas
Pique uma fatia fina de alho em pequeninos pedaços para que libere as substâncias ativas e reserve por 10 minutos; amorne uma colher das de sopa de óleo de coco ou outro óleo vegetal carreador como o de calêndula ou camomila e coloque o alho aguardando mais 10 minutos até esfriar, coe e instile 2 a 3 gotas da mistura em cada conduto auditivo 2 a 3x/dia

PRÓPOLIS
O própolis verde não alcoólico é o que indico pra uso local, sempre diluído na proporção de 1 a 2% em algum chá ou óleo carreador já citado ou gel de aloe vera. Use para limpar e também para instilar dentro do ouvido, massageando e liberando o bicho para sacudir a cabeça e retirar o excesso com a sacudidela

ALOE VERA
Seus bioativos em conjunto além de limpar e ter ação antisséptica, também apresentam ação antibiótica e antifúngica, além de alguns ativos terem ação anti-inflamatória. Pode ser utilizada sozinha ou como veículo para outras substâncias. Use para limpar e/ou pode-se instilar algumas gotas e massagear para que se espalhe por áreas mais profundas. Pode-se utilizar a planta in natura, sempre deixando escorrer por algumas horas o líquido amarelado que escorre depois do corte da folha, lavar e cortar o pedaço que será utilizado (bata no liquidificador, raspe com a colher ou passe em tecido fino (tipo fralda de pano ou voal) para extrair o gel. Outra forma seria usar o extrato de Aloe Vera comercial encontrado em nossa loja e em outras tantas

VINAGRE DE MAÇÃ ORGÂNICO
Dilua a mesma quantidade de água filtrada ou mineral e vinagre de maçã orgânico e instile algumas gotas no conduto auditivo, massageando por alguns minutos.
Se houver lesões/machucados no ouvido, não utilize pois pode arder muito e piorar a coceira e o incômodo!

ÓLEOS ESSENCIAIS e HIDROLATOS
Os que mais recomendo são o de lavanda e o de melaleuca que podem ser adicionados a um dos óleos carreadores vegetais citados acima, na proporção de 2 mls (44 gotas) do óleo essencial para 100 ml do óleo vegetal carreador

Não utilize óleos essenciais em gatos se não tiver o acompanhamento de um veterinário que entenda de aromaterapia, nesses casos use Hidrolatos de lavanda e melaleuca

Lembre-se que essas ferramentas são paliativas, auxiliam nos processos de dor, coceira e inflamação, mas não excluem a necessidade de pesquisar a causa fundamental desse tipo de transtorno, especialmente os crônicos recorrentes

NEEM
Utilize algumas gotas do óleo puro ou misturado aos outros óleos vegetais citados acima – ele é muito eficiente para controle de ácaros de ouvido. Use a cada 3 dias massageando por alguns minutos. Também pode-se utilizar o Extrato puro de neem sozinho ou associado a algum dos chás citados acima para limpeza diária

E EM CASOS DE OTOHEMATOMA?

Muitos animais desenvolvem o otohematoma em consequência do traumatismo auto infringido através da coceira frequente. Nesses casos há ruptura de pequenos vasos que geram uma hemorragia que fica contida entre a pele e a cartilagem das orelhas, deixando-a inchada

Na maioria das vezes os veterinários convencionais indicam a cirurgia nesses casos, mas antes de partir para esse procedimento invasivo que requer inclusive anestesia, você pode fazer compressas locais com tintura  ou óleo vegetal de Arnica + Hamamelis. Outras infusões que podem ser utilizadas localmente na forma de compressas que tem ação importantíssima contra hematomas causados por trauma são a Achillea millefolium (Milefólio ou Mil Folhas ou Mil Ramas) e Erva Baleeira (Cordea verbenácea)

Em nossa loja você encontra também o Homeopático HomeoTrauma por via oral, que auxilia na regressão do hematoma através da combinação de vários homeopáticos que agem sinergicamente
Importante não deixar de buscar a causa e tratá-la concomitantemente ao tratamento do hematoma pois se o bicho continuar coçando e balançando a cabeça, o hematoma acontecerá novamente ou nem regredirá

E PARA FINALIZAR...

Importante entender que no tratamento natural a melhora do quadro é gradual e progressiva e requer do tutor uma atenção contínua, um cuidado especial para que os produtos aliviem os sintomas sem suprimi-los, pois se forem suprimidos, após o término do tratamento voltarão a surgir.

Busque a orientação de médicos veterinários que tenham uma abordagem mais natural e que possam realmente fazer a diferença com protocolos e informações com base em uma medicina funcional e holística, não medicamentosa exclusivamente.

E lembre-se, se a orelha do seu bicho não apresenta nenhum sinal de alteração, NÃO FAÇA NADA!
Menos é mais!!!




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