quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Leucemia Felina: como prevenir, manejar e auxiliar no tratamento






Certamente se você tem gatos, já ouviu falar sobre essa doença e certamente teme que algum de seus gatos se contamine. Também é possível que já tenha gatinhos infectados, com diagnósticos firmados ou não. Outra possibilidade é que você recolha um ou mais gatinhos para o seu lar e precise entender como lidar com todas essas possibilidades no seu dia a dia. Vamos tentar elucidar algumas dúvidas além de também fornecer aos tutores e cuidadores de gatos informações que farão toda a diferença no manejo do seu amigo bigodudo, com ou sem a doença.

O que é e como é transmitida a Felv?

O vírus da leucemia felina (Feline Leukemia Virus ou Vírus da Leucemia Felina) é um retrovírus da mesma família do HIV e da FIV – imunodeficiências humana e felina respectivamente, que infecta gatos em todo o mundo. Sabe-se que pode ser responsável por uma grande variedade de cânceres, e que infecções persistentes podem levar à supressão imunológica e anemia grave.

Os retrovírus são espécie-específicos e, portanto, um retrovírus felino não infecta humanos ou outras espécies.  São vírus disseminados por todo o mundo, e estima-se que cerca de 2 a 3% dos gatos saudáveis ​​(sem sintomatologia) estejam infectados com leucemia felina. Em gatinhos doentes, muito jovens ou altamente suscetíveis à infecção as taxas sobem significativamente.

A forma de infecção mais frequente é através da lambedura mútua, comum entre os gatos de convivência doméstica e faz parte do comportamento social da espécie e suas relações interpessoais. Outras formas de contágio entre os gatos seriam através de fluidos corporais como secreções nasais, urina, fezes, leite materno e sangue, o uso de caixas de areia compartilhadas, tigelas de comida e água, além da transmissão uterina. Também pode ser transmitida através das mordidas e arranhões de um gato infectado.

Os gatos de vida livre, que passeiam pela vizinhança e tem contato com outros gatos potencialmente infectados podem, através de mordidas, serem contaminados facilmente. Da mesma forma, gatos recolhidos de ambientes livres ou de populações de gatos sem controle sorológico para o diagnóstico da doença e introduzidos no convívio de animais susceptíveis, podem disseminar a doença a outros indivíduos ou grupos.



E como a doença se desenvolve?

É muito importante identificar os gatos infectados antes que ele apresente sintomas da doença, já que muitos deles, com os cuidados direcionados a uma imunidade fortalecida podem viver uma vida completamente normal até o final dos seus dias.

No início da infecção, muitos gatos não mostram sinais de doença, mas à medida que a doença progride, podem apresentar sinais e sintomas recorrentes que sinalizam uma deterioração da saúde intercalados por períodos de saúde relativamente boa.

Existem dois estágios da infecção por FeLV, sendo o inicial chamado viremia primária e a sua evolução chamada de viremia secundária. No estágio inicial primário alguns gatos são capazes de responder apropriadamente a infecção e interromper sua progressão para o segundo estágio, por isso a importância em identificar sorologicamente os animais infectados nessa fase para que possamos auxiliar na modulação imune e controlar a evolução da doença.

O segundo estágio caracteriza-se por infecção persistente da medula óssea e de outros tecidos e traz consigo um caráter irreversível.



Então o que podemos esperar de um gato infectado?

Duas a quatro semanas após entrar em contato com o vírus da leucemia felina, dependendo do status imune do gato podemos ter dois tipos de reação:

- Não haverá progressão da infecção, mas ela estará latente, apaziguada e sob controle, seja por uma exposição inadequada ao vírus (sem troca de fluidos), seja por uma resposta imunológica afiada e adequada. Normalmente esse grupo não eliminará o vírus na saliva ou qualquer outro fluido corporal.

- Outro grupo, sem uma resposta imune adequada, seja por subnutrição, desnutrição, doenças concomitantes, fatores estressores, parasitismo, ou por terem sido contaminados antes de 8 semanas de idade, além de outros fatores debilitantes, será permanentemente infectado e será uma fonte constante de emissão do vírus com alto potencial contaminante. Esses animais, dentro de alguns meses ou anos apresentarão condições associadas à infecção que poderão evoluir para a morte.

E quais seriam esses sinais, sintomas e condições manifestados pelo paciente com Felv?

Quando a imunidade se encontra comprometida, patógenos que em um gato saudável seriam debelados prontamente pelo sistema imune alerta e competente, no gato com Felv podem causar doenças graves através de infecções secundárias.

Variados tipos de câncer (Felv é a causa mais comum de câncer em gatos, especialmente linfomas), distúrbios metabólicos, sanguíneos, perda de apetite, perda de peso, linfo-adenomegalia (aumento dos linfonodos ou “gânglios”), febre e diarreias persistentes, mucosas pálidas - anemia, gengivites, estomatites, infecções urinárias de repetição, afecções de pele e pelagem, doenças pulmonares, condições oculares diversas, alterações neurológicas e comportamentais, convulsões, problemas reprodutivos e abortos dentre outros, podem ocorrer em decorrência da infecção por Felv.


E como fazer o diagnóstico de Felv?

O teste ELISA detecta o FeLV nos estágios primário e secundário e pode ser realizado na clínica veterinária como triagem. O teste detecta animais positivos a partir da quarta semana após infecção.

O teste IFA (teste indireto de anticorpos imunofluorescentes) capta apenas viremia secundária, de modo que a maioria dos gatinhos com resultado positivo será infectada por toda a vida. Resultados positivos indicam que o animal está em viremia e é contagioso. Este teste deve ser enviado a um laboratório de diagnóstico e é frequentemente usado para confirmar um teste ELISA positivo para FeLV. É efetuado com sangue ou líquor, sendo o do líquor mais eficiente.

O PCR (Reação em cadeia de polimerase) baseia-se na detecção do DNA próviral em células do sangue periférico (leucócitos)  ou aspirado de medula óssea, proporcionando a identificação do vírus independentemente da presença de anticorpos ou de viremia. Possibilita o diagnóstico da infecção na sua fase de latência, na qual não há replicação viral e, consequentemente, os testes sorológicos não identificam o antígeno, porém não determina se a infecção evoluirá para REGRESSIVA ou PROGRESSIVA.



E o prognóstico?

O prognóstico, que de forma bem sucinta seria a chance dos resultados dos tratamentos serem eficazes após o diagnóstico, está diretamente ligado a fase em que o diagnóstico foi firmado, sendo que na fase de viremia primária as chances de instituirmos um tratamento e os resultados serem eficientes é muito maior do que na viremia secundária.

Quando diagnosticamos antes que se tornem sintomáticos e oferecemos um suporte vitalício ao sistema imunológico, muitos desses bichanos podem viver uma vida completamente normal. Pacientes com o sistema imunológico não competente geralmente apresentam complicações de uma doença secundária dentro de 2 anos após a infecção.

O fato de animais positivos  adquirirem uma ou mais doenças graves relacionadas ao vírus, apresentarem febre persistente, perda de peso e câncer, certamente influenciará no tempo de vida dele.

E quanto a prevenção?

A forma mais apropriada e infalível de evitar a contaminação do seu gato é impedir a exposição ao vírus e isso se faz evitando o contato com gatos potencialmente infectados ou não testados para a doença.

Se o seu felino tem vida livre, você terá que supervisionar seus passeios para evitar contato com felinos da vizinhança ou providenciar um espaço telado, protegido e seguro para impedir que gatos de fora entrem ou mesmo que seja possível se morderem ou aranharem através da tela.

No caso de recolher animais de rua ou fazer casa de passagem para posterior doação é importante que mantenha os animais sem contato, separados em ambientes diferentes até que possa testá-los e confirmar seu status imunológico através do Elisa para Felv.

Não recomendo a vacinação pelo simples fato de estarem associadas ao desenvolvimento de sarcoma (câncer) de aplicação ( sendo a vacina de Felv a mais fortemente associada com o surgimento desse tipo de câncer) e não promoverem 100% de imunidade. Já em casos de animais que permanecerão em vida livre após o teste, deve-se cogitar a necessidade de utilizar a vacina para proteger o gato e grupos de gatos do entorno.

E o tratamento/manejo do paciente infectado?

Não há tratamento específico contra o vírus do Felv, mas o controle das infecções secundárias é muito importante para a saúde e qualidade de vida do seu bichano.

As alterações no manejo do paciente com Felv são importantíssimas para evitar a propagação do vírus para outros gatos assim como evitar que a exposição à patógenos os quais o sistema imune alterado não pode atuar de forma eficiente.

Gatos FeLV positivos não devem se reproduzir e tampouco terem acesso a vida livre. Se o seu gato estiver ao ar livre, ele deve estar sob sua supervisão constante ou em um recinto seguro e protegido - que impeça que outros gatos não apenas entrem, mas também possam morder ou arranhar seu gatinho.

Não devem ser vacinados já que se apresentam imunossuprimidos. Vacinas só devem ser aplicadas em indivíduos imunocompetentes!



Que ferramentas auxiliam nesse processo?

- Alimentação: Primeiramente o gato deve receber uma dieta adequada a espécie, com alimentos frescos preferencialmente, mas deve-se evitar os crús em função de sua imunidade comprometida. Se os alimentos naturais não são bem aceitos por ele ou você não consegue por algum motivo propiciar uma dieta natural, opte pelas rações sem grãos (mais apropriadas a espécie felina) sem transgênicos e maior digestibilidade/aproveitamento. Seu gato deve receber uma dieta equilibrada, nutricionalmente completa e adequada à espécie.

- Caldo de ossos: elaborado preferencialmente com pequenas presas inteiras (frango, codorna, coelho, rã, peixes e outros) e cozido por 12-24 hs em fogo baixo e panela parcialmente tampada. Essa “bomba” nutricional traz uma enorme gama de aminoácidos, vitaminas, minerais, enzimas e outros nutrientes dispersos nessa variedade de tecidos. A pronta absorção de nutrientes desse caldo pode auxiliar pacientes desnutridos, anoréxicos e debilitados a recuperarem forças para continuarem lutando. Como fazer e quanto oferecer você encontra aqui 


- Suporte para a imunidade: cogumelos medicinais como ganoderma lucidum e coriolous versicolor são muito eficientes quando o assunto é imunidade. Considerados alimentos funcionais por serem ricos em nutrientes e ainda promovem benefícios a saúde através de compostos com ação anti tumoral, antioxidante e atividade antimicrobiana dentre outras.
Sugestões de doses:
ganoderma lucidum 8 mg/kg
coriolous versicolor 15 mg/kg

A própolis, preferencialmente a verde, além de ser um imunomodulador, tem ação bactericida, fungicida, atividade anti tumoral, auxilia em doenças hepáticas e biliares , dentre outras tantas!
Sugestões de doses:
própolis verde não alcoólico 1 – 3 gotas/kg

Outras ferramentas eficientes para auxiliar o paciente com Felv são a Spirulina, a cúrcuma longa, homeopatias e nosódios específicos, ozonioterapia, fitoterapia chinesa e ocidental, nutracêuticos e tantas outras terapêuticas de suporte.

Importante o acompanhamento veterinário para controle do paciente infectado duas ou mais vezes ao ano, com profissional que além de efetuar exames clínicos e laboratoriais para o controle da evolução da doença, também possa direcionar o tratamento para o bem estar do paciente dando condições de promover qualidade de vida e uma morte também de qualidade quando esse for o desfecho.

No site do Bicho Integral você encontrará um post de relato de caso de Felv muito inspirador para despertar seu interesse e mostrar resultados na prática clínica com a medicina integrativa.

Saudações integrais!




quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Cuidados Paliativos em Pacientes Veterinários Terminais



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Os cuidados paliativos são aqueles dispensados aos pacientes com problemas decorrentes de doenças prolongadas, doenças crônicas graves, degenerativas terminais, incuráveis e progressivas, como câncer, insuficiência renal crônica e insuficiência cardíaca progressiva, dentre outras.
Os pacientes terminais necessitam de cuidados integrais por horas, dias, semanas ou meses, na tentativa de prevenir a dor, o sofrimento físico e o desconforto. A melhoria da qualidade de vida do paciente, no tempo que lhe resta de sobrevida, reflete-se também sobre o cuidador, preocupado com o sofrimento de seu ente peludo querido.

O principal objetivo dos cuidados paliativos em doentes terminais é justamente o de acrescentar qualidade de vida aos dias restantes, e não dias à vida. O objetivo de curar é substituído pelo foco na prevenção e no alívio do sofrimento e da dor, no carinho e na atenção dispensados em confortar e promover o bem estar.




Quando hospitalizamos nossos animais terminais, em tentativas terapêuticas obstinadas de retardar a morte, submetendo-os a tratamentos muitas vezes inúteis, de forma não intencional, sem aliviar seu sofrimento, afastando-os de seus domínios, de seus territórios, do aconchego e do convívio com seus “familiares” de duas ou quatro patas, estamos praticando a chamada distanásia (morte lenta com sofrimento). Já a eutanásia, caracteriza-se por ato médico que tem a finalidade de eliminar a dor e o sofrimento gerados pela doença incurável, através da morte assistida de seu portador. Ortotanásia é o termo utilizado para designar a morte no seu tempo certo, sem tratamentos desproporcionados e sem abreviação do processo de morrer. É a chamada morte boa, em casa, entre os seus, de forma natural, tranqüila, sem dor ou sofrimento. É sobre esta morte que vamos falar.

Ao supormos que não há mais nada a fazer pelo paciente sem possibilidades de cura, imediatamente surge a ideia da eutanásia, tanto pelo cuidador quanto pelo veterinário. Esta abreviação da vida de nossos companheiros peludos abrevia também uma etapa do existir da qual faz parte o morrer, pertencente ao paciente terminal, assim como da etapa do cuidar pertencente ao cuidador. A morte, antes encarada como fase natural da vida, assistida pelos entes querido, no aconchego do lar e cercada de cuidados, hoje toma uma proporção diferenciada na vida das pessoas a medida que resolve-se praticar a eutanásia ao mínimo sinal de doença sem prognóstico.
Não estamos falando aqui de deixar nossos amigos padecerem com dores e desconforto. Estamos sim, questionando a eutanásia como único caminho quando temos um paciente terminal.



Então falemos de sofrimento e dor...
Como podemos identificar dor e desconforto em nossos amigos? Não é fácil pois não há expressão verbal de sensações e desconforto, eles não falam. Então como saber? Além da observação clínica do médico veterinário, as informações precisas do cuidador/observador no que se refere ao comportamento do animal e suas alterações, podem nos dizer quase tudo. Por exemplo, em caso de dores reduzidas ou desconforto leve, observamos pouquíssimas alterações comportamentais, sendo que alguns animais se afastam dos seus entes queridos, outros ficam visivelmente mais próximos, como se buscassem apoio e conforto, mas há, evidentemente “algo sutilmente diferente”. Podem ou não apresentar episódios de anorexia, onde em um dia não tem interesse em comer, no outro já estão com um apetite normal, mas são episódios isolados, sem grande freqüência. Na dependência da patologia que os aflige, apresentam sintomas isolados como diarréias, micções com sangue, dificuldades em locomover-se, etc., mas sempre em episódios não continuados ou uma sintomatologia leve, transitória.

Já as dores moderadas, manifestam alterações comportamentais inespecíficas, como ausência de apetite ou redução deste, associados ou não a dificuldade ou incapacidade em engolir, prostração, desinteresse sobre coisas que antes o interessavam muito, sintomas específicos dos órgãos afetados e que nem sempre são amenizados com facilidade como na fase anterior.

Conforme aumenta o grau de dor e desconforto, podemos observar vocalização (gemidos,choros, uivos ou gritos), batimentos cardíacos acelerados (taquicardia), movimentos respiratórios acelerados (taquipnéia) ou superficiais, irregulares e dificultosos, dilatação pupilar (midríase), salivação excessiva, náuseas e vômitos, diminuição da quantidade e freqüência de micções (diurese diminuída) ou incontinência urinária e fecal, extremidades frias, alterações na coloração da pele (azulada ou pálida) inquietação ou confusão e desorientação intensas ou no outro extremo, prostração absoluta com olhar perdido e estado de ausência.

O primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticos do Brasil, na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, coordenado pela Dra. Denise Fantoni (minha querida colega de turma), desenvolveu um questionário aplicado aos cuidadores com o intuito de avaliar a qualidade de vida do animal e desta forma ajudar nos cuidados paliativos, introdução de medicamentos no controle da dor, controle de doses mais apropriadas, tudo com a finalidade de minimizar o sofrimento dos doentes terminais. Essa mudança de paradigma é inovadora, dentro da medicina tradicional e vale aqui deixar expressa minha admiração pelo trabalho da equipe. Aparentemente o ambulatório não apresenta-se mais em funcionamento segundo minhas pesquisas na internet, mas tenho abaixo um questionário de avaliação criado por eles que podemos nos basear para levantar dados e tentar entender o estado anímico/funcional do paciente para poder auxiliá-lo e identificar o momento de mudar o protocolo e os cuidados referentes a ele.




AVALIAÇÃO
Este é o questionário aplicado pelos veterinários do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP. Ele ajuda a melhorar a qualidade de vida dos animais
1. Você acha que a doença atrapalha a vida do seu animal?
2. O seu animal continua fazendo o que gosta (brincar, passear…)?
3. Como está o temperamento do seu animal?
4. O seu animal manteve os hábitos de higiene (lamber-se, por exemplo)?
5. Você acha que o seu animal sente dor?
6. O seu animal tem apetite?
7. O seu animal se cansa facilmente?
8. Como está o sono do seu animal?
9. O seu animal tem vômitos?
10. Como está o intestino do seu animal?
11. O seu animal é capaz de se posicionar sozinho para fazer as necessidades fisiológicas?
12. Quanta atenção o animal está dando para a família?


Como aliviar dor e desconforto ?
Proporcionando nutrição adequada, conforto, aconchego, atenção e analgesia.
Além de analgésicos, alguns medicamentos homeopáticos, quando bem escolhidos aliviam a dor de forma muito eficiente. A acupuntura, massagens, drenagem linfática e a fisioterapia também apresentam-se como ferramentas muito eficazes nesse processo. A utilização de canabinóides (CBD e THC especialmente) também tem demonstrado resultados muito animadores nessa fase terminal da vida. O alívio de tensões, dores, estresse e edema linfático, proporcionam conforto e melhoria no bem estar trazendo qualidade de vida e de morte.



Medicamentos homeopáticos bem escolhidos, baseados nos sintomas típicos e peculiares de cada paciente, em cada momento dessa fase crítica, expresso por sinais específicos daquele paciente, naquele momento, podem amenizar a dor e o sofrimento do paciente terminal. Nesta fase, os dados constitucionais do paciente, que no tratamento homeopático das doenças crônicas são tão importantes
, deixam de ser prioritários e os sintomas atuais, referentes ao quadro atual do paciente, ganham importância no alívio dos sintomas. As mudanças sintomáticas devem ser observadas a fim de selecionarmos uma seqüência medicamentosa em conformidade com os sinais e sintomas que vão surgindo. Muitas vezes o alívio do desconforto é imediato e prolonga-se até o fim. Outras vezes, este alívio é passageiro e necessitamos outros medicamentos baseados em novos sinais que vão surgindo. Ao utilizarmos o estímulo do medicamento homeopático, baseado nos sinais do momento clínico atual, estimulamos uma reação secundária do organismo que mobiliza o restante de sua energia vital no sentido de proporcionar um retorno ao bem estar, a um novo equilíbrio, mesmo que passageiro. O que advêm em seguida é muito semelhante ao apagar de uma vela, que queima até o final e se apaga, consumindo todas as suas reservas, de forma serena e natural. Em homeopatia, ao utilizarmos as peculiaridades de cada processo de morte individual na busca do medicamento mais apropriado para cada indivíduo neste momento, podemos propiciar uma morte digna,respeitando a fragilidade de cada ser, com o mínimo de sofrimento e dor, com naturalidade, delicadeza e sem a urgência de uma morte antecipada.

Estes cuidados paliativos feitos com homeopatia, promovem alívio sem a pretensão de curar mas sim, com o intuito de minimizar sofrimentos, melhorando a qualidade de vida e de morte de nossos pacientes peludos. Esta postagem tem por finalidade alertar aos cuidadores e veterinários que existem sim formas mais amenas e serenas de encarar o processo de morte sem a necessidade de abreviar vidas, em todos os casos, como forma de resolver situações desconfortáveis para todos.
Cuidar de um paciente terminal exige muito mais do que conhecimentos científicos e técnicos. Exige a compreensão do processo de vida, da individualidade do ser, do seu valor único e o conhecimento do processo de morte.

Não podemos esquecer que todas as formas de vida que conhecemos apresentam início, meio e fim, no corpo físico que conhecemos, e que ao proporcionarmos uma vida saudável, plena e de acordo com a natureza da espécie em questão, estaremos também minimizando efeitos dramáticos no final de cada existência. Reconhecer a proximidade da morte, compreender o seu papel nas nossas vidas enquanto responsabilidade pessoal e social, entender que morrer é um processo natural e que faz parte do nosso aprendizado, prepara-nos com serenidade para esse momento inevitável e faz dele uma despedida menos dolorosa e cercada de boas e eternas lembranças.



Algumas ferramentas auxiliares em momentos de despedida:

Para o paciente: 
Floral de Bach: Rescue - 3 gotinhas 4-6 vezes ao dia ou 3 gotinhas diluidas em 200 ml de água e oferecidas aos goles várias vezes ao dia; Walnut (4 gotas 4x/dia)
Óleos essenciais: Lavanda

Para o tutor/cuidador:
Floral de Bach: Rescue - 3 gotinhas 4-6 vezes ao dia ou 3 gotinhas diluidas em 200 ml de água e oferecidas aos goles várias vezes ao dia; Red Chestnut (4 gotas 4x/dia)
Óleos essenciais: Cedro, Cipreste, Pinho, Bergamota, Mirra e Olíbano

Outros: amor, serenidade, entendimento, desprendimento





sábado, 4 de janeiro de 2020

Curso Básico de Medicina Veterinária Sistêmica




O Programa de Formação em Medicina Veterinária Sistêmica no Brasil e no Exterior, lança pela primeira vez em Florianópolis – SC, em parceria com a Dra. Carmen Cocca, idealizadora do Bicho Integral, um curso básico de iniciação à Medicina Veterinária Sistêmica.

O Curso Intensivo – Nível Básico (100h) é um método de alto impacto, que exige dos alunos rápido aprendizado e assimilação dos conteúdos, e será ministrado no período de 13 a 23 de Junho de 2020 pelos Co-Founders do Programa, Dra. Carla Soares e Dr. Ricardo Garé.

Esse modelo de curso é uma iniciação à Visão Sistêmica aplicada à Medicina Veterinária, aonde os alunos poderão conhecer sobre a filosofia ancestral da visão sistêmica, sobre psicodrama, teatro, percepção/flow, psicologia positiva, reiki nível 1 e 2, comunicação intuitiva, e bases das constelações familiares segundo Bert Hellinger aplicadas as idiossincrasias da Medicina Veterinária (relações interpessoais, sintomas e doenças, perdas e luto, ortotanásia, Síndrome de Burnout e questões empresariais).



Esse curso não habilita os alunos nas Constelações Familiares, e sim, apenas em pequenos exercícios sistêmicos que poderão ser aplicados em grupos ou em consultórios. Por esse motivo, o nível básico é uma iniciação e um pré-requisito para os demais níveis.

Para que o aluno avance nas Constelações Sistêmicas Veterinárias, são necessárias mais 200h de aulas voltadas para as Constelações Sistêmicas com práticas e estudos mais aprofundados (nível intermediário e nível avançado), para que o aluno esteja capacitado.



Esse curso, fornecerá certificação reconhecida e emitida pela Sociedade Brasileira de Saúde Quântica com a habilitação MÉDICO VETERINÁRIO SISTÊMICO – NÍVEL BÁSICO (100 HORAS), com as seguintes atividades autorizadas: Reiki 1 e 2 aplicados à Visão Sistêmica, Comunicação Intuitiva entre Consciências com Visão Sistêmica, e, habilitação apenas para as práticas de Exercícios Sistêmicos. O Curso Nível Básico não autoriza o aluno a ser Constelador Sistêmico Veterinário.

Esse curso é a iniciação de um caminho e um modo operandis, com profundos processos de transformação, resignificação e reconciliação com nosso sistema familiar de origem e com nossos propósitos de vida. Permitindo que o aluno tenha os primeiros contatos com a Medicina Veterinária do Terceiro Milênio.



A Medicina Veterinária Sistêmica estuda e se apoia na Ciência Fenomenológica, que percebe e estuda o inconsciente das relações entre os seres vivos e das famílias multiespécies, facilitando a integração, a pacificação e que o fluxo do amor possa permear o caminho através do contato com a dor e com o Self 2 (mente inconsciente). 





A Medicina Veterinária Sistêmica se pauta no desenvolvimento animal-humano e não-humano, buscando sanar questões e conflitos que são os “blind spots” (panos de fundo) do surgimento de padrões de emoções, crenças, comportamentos e sintomas, muitas vezes, transgeracionais, espelhados pela lealdade dos animais ao nosso sistema familiar.

Esperamos você para essa jornada profunda e de uma medicina humanizada! Informações no site www.veterinariasistemica.com.brwww.veterinariasistemica.com.br


Assista ao vídeo explicativo no youtube


Turmas abertas para 2020!

Com amor,


Carla Soares e Ricardo Garé
Co-Founders do Programa de Formação em Medicina Veterinária Sistêmica
no Brasil e no Exterior.

sábado, 30 de novembro de 2019

Malassezia: como eu trato

As leveduras do gênero malassezia são consideradas como parte integrante habitual da microbiota da pele, dos ouvidos e das mucosas de cães sãos. O quadro clínico da malasseziose tegumentar desencadeado pela excessiva multiplicação da levedura Malassezia pachydermatis sobre a epiderme canina, somente se evidencia quando um conjunto de fatores predisponentes, endógenos ou exógenos estão presentes. Dentre os fatores predisponentes, alterações nos mecanismos de defesa do hospedeiro e na microbiota da superfície da sua pele, sugerem o status oportunista da malassezia. Seu papel na perpetuação e no agravamento das dermatites mais diversas vem sendo pesquisado há anos, por diversos grandes nomes da dermatologia veterinária mundial, na busca do entendimento de sua etiopatogenia, predisposições,incidência, evolução e respostas as diversas terapêuticas. Muitas espécies animais, inclusive o homem, tem em sua microbiota natural a malassezia.

            Malassezia pachydermatis : tingida de cor escura

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

ATOPIA CANINA: Abordagem Holística


A dermatite atópica (DA), também chamada de atopia, é uma enfermidade de pele muito comum nos dias de hoje e que se apresenta cada vez mais freqüente no dia a dia das clínicas veterinárias que atendem pequenos animais.
A queixa principal é sempre o PRURIDO e consequentemente surgem as lesões de pele resultantes do auto traumatismo e infecções secundárias por bactérias e fungos. Estas lesões secundárias podem apresentar-se sob a forma de crostas, alopecia (ausência ou rarefação de pelos), lignificação (pele rachada e aparentemente espessada, sem pelos) e hiperpigmentação (pele escura, preta mesmo). As áreas mais afetadas são a face, principalmente ao redor dos olhos e boca, as patas ( principalmente nas extremidades e entre os dedos), região abdominal ventral, inguinal, axilar, face flexora da articulação do tarso e face extensora da articulação do carpo, pina (extremidade das orelhas), canal auricular externo(ouvido), genitália feminina e ânus.
Quando a pina (ponta da orelha) e o canal externo do conduto auditivo encontram-se afetados, a otite externa surge normalmente como sua complicação. Há relatos de que mais de 80% dos animais com DA apresentam otites. Infecções secundárias com leveduras e bactérias são freqüentemente encontradas nestas otites.

Diagnóstico

A suspeita se baseia na localização das lesões e pela exclusão das demais dermatopatias alérgicas, parasitárias, hormonais e nutricionais. Não há exames laboratoriais que confirmem o diagnóstico de atopia.
Algumas raças apresentam predisposição genética para apresentar a DA, como goldens, labradores, pastores alemães, weast highland terriers, e as pequenas raças como shitzu, maltês, lhasas e poodles, sendo estas últimas quatro as que mais atendo no meu consultório com quadros de atopia, mas qualquer raça pode ser afetada, inclusive os sem raça definida. Fêmeas parecem ser mais afetadas que machos (60 e 40% respectivamente). A faixa etária mais afetada está entre 1 e 3 anos (mais de 60% dos casos), seguida por geriátricos (acima de 7 anos) e pediátricos (até nove meses de vida).

O diagnóstico da dermatite atópica esta relacionado aos antecedentes do paciente (dermatites e otites recidivantes que respondem a terapia com corticóides); sinais clínicos como prurido e vermelhidão da pele, afetando os ouvidos, o focinho, os olhos, as superfícies flexoras, as patas e a parte ventral do organismo animal; diagnóstico diferencial com outras patologias de pele como sarna sarcóptica, sarna demodécica, malaceziose disseminada e outras; falta de resposta a dietas de eliminação hipoalergênicas de duração mínima de 6 semanas, que utilizam uma proteína nova na alimentação. Não costumo indicar provas de alergia para estabelecer um diagnóstico, já que de 10 a 20% dos cães clinicamente atópicos apresentarão provas sorológicas e intradérmicas negativas, além do que o teste de sensibilidade tem um custo altíssimo para a maioria dos cuidadores.
Atopia Canina


A dermatite atópica é uma enfermidade multifatorial da qual fazem parte tanto componentes alérgicos, como defeitos na barreira cutânea, infecções microbianas e outros fatores exacerbantes (agravantes).

Vejamos alguns dos possíveis fatores exacerbantes:

Ectoparasitas – As pulgas e os carrapatos podem ser uma complicação nos casos de DA, assim como a sarna sarcóptica, e a sarna demodécica, estando esta última associada a imunosupressão. Formas naturais de controle de ectoparasitas são as mais indicadas em animais atópicos 

Infecções bacterianas e por leveduras – são freqüentemente responsabilizadas pelos quadros de dermatites. Trabalhos científicos recentes sugerem que o comprometimento da função da barreira epidérmica pode estar diretamente ligado a um desequilíbrio entre cepas de Staphylococcus comensais (habitantes naturais da pele do cão), sobrepondo-se as superpopulações de Staphylococcus pseudointermedius , sugerindo que a diminuição da diversidade bacteriana está associada à gravidade das lesões locais.
A imunosupressão ( ou baixa da imunidade) pode favorecer o surgimento de infecções por malassezia e stafilococos, dentre outros, concomitantes ao quadro de DA, mas ainda não se determinaram se o desequilibrio da microbiota da pele do paciente atópico seria causa ou consequência da doença,. O supercrescimento bacteriano (especialmente Staphylococcus pseudointermedius) além de caracterizar uma disbiose na epiderme (desequilibrio da microbiota local) também acentua sinais clínicos através de sensibilidade não só a  grande quantidade de bactérias dessa cepa, como suas toxinas e os produtos do seu metabolismo. O própolis e o óleo essencial de melaleuca são aliados importantes no controle o abrandamento dessas infecções a medida que agem tanto sobre algumas bactérias quanto leveduras e podem ser utilizados topicamente, associados a shampoos, cremes, sabonetes e géis. O uso interno do própolis  por via oral (de 1 a 3 gotas para cada 3 kg de peso) sendo um modulador da imunidade, também auxilia no reequilíbrio do paciente atópico.

Estresse – é uma sobrecarga sobre os sistemas de controle e adaptação do indivíduo e que podem precipitar ou exacerbar sinais clínicos dermatológicos.
Alguns exemplos de estresse ambiental e social: estimulação mental inadequada, exercícios inadequados (menos atividade física do que o necessário), interação inadequada com a família e outros animais, acesso limitado a fontes essenciais (comida, água, abrigo), isolamento social, conflitos de status, conflitos relacionados a território, adição ou perda de membros da família, alteração de saúde de um ou mais membros da família, alteração da rotina diária, casa ou ambiente novo, alteração do ambiente físico, viagem, hospitalização, doenças crônicas diversas, etc. Produtos homeopáticos específicos para o quadro de estresse, como o Fator Estresse Pet  ou o Rescue Night podem ajudar na adequação do estado mental do paciente!

“O ESTRESSE PSICOLÓGICO É MAIS EFICAZ QUE O FÍSICO PARA BAIXAR AS DEFESAS IMUNOLÓGICAS CUTÂNEAS.”

Efeitos ambientais – extremos de temperatura e humidade, superfícies irritantes ou abrasivas, produtos químicos no ambiente, ácaros, etc.


No esquema acima: barreira epidérmica desestruturada à esquerda e íntegra à direita.


Revitalizando a barreira cutânea

Cães atópicos apresentam defeitos na barreira cutânea, especialmente no cemento celular (espécie de "cimento" que une uma célula a outra) , que é formado por lipídeos (gorduras), principalmente por ceramidas. As células e os espaços lipídicos intercelulares são os componentes principais desta barreira e quando há uma desestruturação desta barreira o resultado é a perda de água, uma maior penetração de antígenos e produtos químicos, e um aumento da aderência de estafilococus à superfície dos corneócitos (células superficiais da pele).

Nutrição e Nutracêutica


A nutrição contribui para melhorar a produção de ceramidas e, desta forma, fortalecer a função da barreira da pele. Mediante o uso de nutrientes adequados, que atuam sobre a resposta inflamatória, como ácidos graxos poliinsaturados Omega 3 e os que atuam sobre a resposta imunitária, como os probióticos, verifica-se a melhora estrutural da barreira cutânea e uma diminuição e até o controle dos sinais clínicos da atopia, como escamação, prurido e inflamação da pele. A prevenção e o controle das hipersensibilidades alimentares, com a utilização de dietas caseiras hipoalergênicas e alimentos de alta digestibilidade, também apresentam grande valor no tratamento e prevenção da atopia.
Os nutrientes que se consideram importantes para a melhoria da função da barreira cutânea são:
- Zinco: como redutor da inflamação (ex. argila verde)
- Ômega 3 : redução da inflamação
- Algumas vitaminas do complexo B(Inositol, colina, pantotenato, nicotinamida )  e o aminoácido histidina: atuam sobre a síntese da barreira lipídica epidérmica.
- Aloe Vera e curcumina – promovem o aumento dos fibroblastos (uma das células constituintes do tecido conjuntivo entre as células); a síntese de proteoglicanos ( que atraem água pra os tecidos); da produção de TGF (proteína que controla a proliferação celular); e redução da inflamação.

E a alimentação?


Outro importante passo no tratamento da atopia é, ao meu ver, a alteração alimentar para dieta caseira balanceada, que faz parte do meu protocolo de tratamento em várias patologias. A não utilização de aditivos alimentares como conservantes, corantes, aromatizantes, e outras dezenas de "antes" acrescidos aos alimentos industrializados, glútem e lácteos, por si só já ameniza os sintomas de prurido e vermelhidão na pele, observados na minha prática clínica. Cada indivíduo deve ter o seu cardápio adaptado as necessidades individuais, baseados em atividade, condição corpórea, patologias que cursam concomitantes, rotina do proprietário, etc.

Tratamento Tópico
A terapia tópica (local), deve visar efeitos hidratantes ( que conduzem água para a pele), emolientes (que retêm a água na pele), umectantes (que atraem água para a pele) e reparadores. Como exemplo nessas modalidades, temos o óleo de girassol com todas essas características desejadas.
O óleo de girassol ozonizado ainda apresenta ação bactericida e fungicida para controle dos microorganismos em excesso na pele (disbiose de pele)

O uso de  Shampoos, cremes, loções, balms ou géis para tratar e revitalizar a pele são imprescindíveis no auxílio a recuperação da pele afetada.

Cuidadores de animais atópicos devem sempre testar produtos de uso local na pele de seus bichos antes de usar: passe uma gota do produto na região interna da virilha onde eles tem menos pelos e esfregue. Deixe agir por 30  minutos. Se o local da aplicação ficar vermelho, quente ou formar um inchaço qualquer, provavelmente o bicho é alérgico e deve-se evitar o uso de tal produto. Caso nenhum desses sinais apareçam, pode ser usado com tranquilidade.


                                                                                                                                                                                                                                                                                                               
Os cuidadores e tutores  de animais atópicos devem estar cientes de que, provavelmente, terão que controlar a atopia de seus animais por toda a vida deles e que haverá períodos piores e melhores no decorrer de suas vidas. Portanto, optar por terapêuticas com o mínimo de efeitos colaterais e que visem o controle dos fatores ambientais e psicobiológicos, seria o caminho para melhorar a qualidade de vida dos nossos pets. Dentro da proposta integralista em saúde, devemos valorizar a educação do cuidador no controle de alérgenos de ácaros, de aero-alérgenos e trofo-alérgenos (presentes em alimentos), no controle de doenças psicogênicas e psicossomáticas, no controle alimentar e nas suplementações com nutracêuticos adequados, que são alimentos ou parte deles que tem a capacidade de proporcionar benefícios a saúde.

Com relação ao tratamento homeopático, como vivo insistindo em todas as minhas postagens, deve-se ter em mente que não existem fórmulas mágicas que servem para todos os animais com a doença. A abordagem individual deve ser o foco do homeopata para que o indivíduo se estabilize e para que possamos controlar os episódios que surgirão com maior ou menor intensidade, na dependência de fatores desencadeantes e exacerbantes, intrínsecos e extrínsecos ao indivíduo, mas que só a ele pertencem. Tratamos doentes e não doenças. Quando recebemos, em nossos consultórios homeopáticos, animais que já vem sendo medicados por muito tempo com terapias do tipo supressoras, como corticoides, anti-histamínicos, quimioterápicos, imunossupressores, etc., devemos orientá-los no sentido de que poderão ocorrer agravações no início da terapia homeopática e de que o tempo que necessitamos para estabilizar o animal é maior quão maior foi o tempo em que se utilizaram tais medicações. Não é um tratamento simples e em muitos casos bastante demorado. Necessita da cumplicidade e confiança do proprietários, que deve ser muito observador e colaborativo, não faltar aos retornos para avaliação e medicar adequadamente.

Neste texto não abordei os tratamentos convencionais alopáticos por haver extensa bibliografia sobre o assunto em diversos sites da internet e também, porque não acredito nessas terapêuticas que na minha prática clínica alopática, por 18 anos, simplesmente não vi resultados que valessem a pena, em troca de tantos efeitos colaterais decorrentes delas, exceto em casos extremos, onde tentativas de solucionar o quadro de prurido, desconforto e infecções com produtos naturais não tenham surtido efeito, ou como coadjuvantes no tratamento para diminuir populações excessivas de bactérias e leveduras na pele, mas sempre associados a ferramentas naturais. Se pudermos iniciar o tratamento natural e não agressivo nos primeiros sinais de manifestação do quadro atópico, deixando os alopáticos para quando forem realmente necessários, certamente teremos resultados muito mais positivos para a saúde geral dos nossos peludos.

Referências Bibliográficas:

Muller, R.S. Diagnosis and treatment of canine atopic dermatitis
Ralf S. Mueller DipACVD, DipECVD, FACVSc
Proceedings of the 33rd World Small Animal Veterinary Congress 2008 - Dublin, Ireland. Disponível em: http://www.ivis.org

Nuttall,T. Tratamiento de la dermatitis atópica
Veterinary Focus / / Vol 18 No 1 / / 2008
Disponível em: http://www.ivis.org

Prelaud, P., Harvey, R. Dermatología canina y nutrición clínica
Enciclopedia de la nutrición clínica canina – Royal Canin
Disponível em: http://www.ivis.org

Farias, M.R. Síndrome Dermatite Atópica Canina: consenso.
Disponível em :
http://www.sovergs.com.br/palestras/Dr_Marconi_de_Farias_Sindrome_Dermatite_Atopica_Canina_consenso.pdf

Charles W. Bradley et All  Microbiome and Association with Microenvironment and Treatment in Canine Atopic Dermatites et All 

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Como fazer a socialização de filhotes



Sabe aquele famoso ditado: “é melhor prevenir, do que remediar”? Ele vale e muito quando o assunto é comportamento canino, principalmente tratando-se de socialização de filhotes, a oportunidade mais importante para prevenção de problemas comportamentais que temos. Nesse texto, irei explicar como e por que isso acontece. 

Socializar um filhote é promover experiências positivas diversificadas, para que ele acostume com situações que serão comuns no seu dia-a-dia no futuro. 

Vamos citar o exemplo de uma criança, comparando à socialização dos cães. Imaginem que uma criança tenha vivido isolada dentro de casa, não fez amigos, não conheceu novos lugares, não teve experiências de vida, tendo contato somente com os pais. Com certeza, até a fase adulta ela desenvolverá sérios problemas emocionais e sociais. 

Para os nossos cães, não seria diferente. Cães que não foram socializados quando filhotes, são ansiosos, têm medo de determinadas coisas e situações novas, têm medo de pessoas desconhecidas e muitas vezes desenvolvem fobias. A falha na socialização explica a maioria dos problemas comportamentais que vemos por aí. 

Existe um período apropriado para propor essas experiências, chamado de período crítico, ou janela de socialização, que acontece das 3 semanas aos 3 meses, podendo se estender até os 4 meses de idade. Nessa fase o cérebro do filhote está neurologicamente mais apto ao aprendizado de novas experiências, por isso o filhote não sente tanto medo do desconhecido. 

O que dificulta esse processo, é que os períodos de socialização e vacinação coincidem, fazendo com que a grande maioria dos Médicos Veterinários proíbam qualquer tipo de interação com o filhote fora de casa. Porém, ao instituir um protocolo de vacinação adequado e individualizado para cada cãozinho, é possível criar situações seguras para socializá-lo dentro e fora de casa.


O seu protocolo de socialização deve incluir ruídos, carros, motos, skate, patins, eletrodomésticos, pessoas, cães, outros animais, ambientes diferentes, entre outros. Aqui vão alguns exemplos práticos e seguros para você socializar o seu filhote:

1) Leve seu cão à casa de amigos e familiares;
2) Convide amigos e vizinhos para conhecer o seu novo filhote;
3)Saia com o filhote no colo, em ambientes com bastante fluxo de pessoas e estímulos sonoros;


4)Visite cães sociáveis, saudáveis e vacinados, e convide-os para irem à sua casa;
5)Acostume-o com os aparelhos domésticos: secador, liquidificador, aspirador, lavadora;
6)Sons de chuvas e trovões;
7)Barulhos altos e estridentes;
8)Visite o consultório veterinário fora dos dias de vacinação.

Situações não seguras para socialização de filhotes:

1) Levar à parques para cães, praias, pet shop e hospitais veterinários;

2) Colocá-lo no chão da rua;

3) Ter contato com cães de histórico desconhecido, reativos, doentes e não vacinados.

É importante lembrar que todas essas experiências devem ser positivas e interrompidas ou fracionadas, caso ele demonstre sinais de desconforto. Quanto mais você o expuser a uma variedade de pessoas, animais, estímulos auditivos, olfativos e visuais, mais bem socializado ele será, e com isso mais seguro, calmo e confiante quando adulto.



Para saber mais sobre socialização e educação positiva de filhotes, sigam o perfil @caognitivo no Instagram.

Carolina Beselga é Médica Veterinária Comportamentalista, realizando atendimentos comportamentais em domicílio e clínicas veterinárias, e fundadora da empresa de Educação Canina-Cãognitivo.


quarta-feira, 31 de julho de 2019

Ozonioterapia em animais

Hoje eu vim falar com vocês sobre a “molécula da Vida”, o oxigênio, e como uma super-versão dela gerou efeitos terapêuticos tão incríveis.

A molécula de oxigênio e composta de 2 atomos de oxigênio, numa união estável. Igual ao casamento : “Até que a morte nos separe”.

Quando colocamos uma descarga elétrica em um ambiente cheio de O2, a molecula de oxigênio se separa e alguns átomos se reorganizam em O3.

É um casal de três, moderno, muito instável e com vida curta.
Os efeitos terapêuticos desse novo trio são diversos:




E por causa de todos esses efeitos benéficos, a ozonioterapia, passou a ser mais uma das alternativas de tratamento para os nossos peludos, sendo indicada em casos de :

  • Infecções bacterianas,
  • Problemas de pele,
  • Feridas grandes e contaminadas,
  • Problemas ósseos,
  • Doenças inflamatórias crônicas,
  • Neoplasias,
  • E muitos outros casos...

Sua aplicação pode ser feita por diferentes vias especificas, de acordo com a indicação e condições do paciente.

1 - Soro ozonizado subcutâneo em paciente insuficiente renal crônico.

Maisha, Yorkshire, 10 anos




2 - Hemoterapia em paciente com problema de pele.

Sparrow, SRD, 3 anos.


















3 - Bagging e cupping em paciente com atopia e otite.

Lully, Shitzu, 5 anos.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                




















4- Insuflação retal em paciente com cervicalgia e insuficiente renal
Bruce, chihuahua, 13 anos

























Alguns casos clínicos:

1 - Ferida
Tratamento sistêmico e tópico
Duração de 6 semanas















2 - Dermatite
Tratamento sistêmico e tópico
Evolução em 1 semana

























Quer aumentar a qualidade de vida dos seus peludos? A ozonioterapia é mais uma alternativa na medicina integrativa. 


Texto escrito por Giordana Barone - (011) 99794-8082 - giorysis@yahoo.com.br
Médica veterinária formada pela UNESP de Araçatuba em 2004, especialização em Medicina Tradicional Chinesa pela UNESP de Botucatu em 2006, especialização em Fitoterapia Chinesa pela Cefimed em SP em 2009, especialização em Dietoterapia Chinesa pelo Instituto Equilibrium em SP em 2017, curso de aprimoramento e extensão em Beijing – China em 2010, curso de ozonioterapia em SP em 2017.

sábado, 11 de maio de 2019

O que é Enriquecimento Ambiental?


Uma técnica criada na década de 1920 com o objetivo de proporcionar mais qualidade de vida para animais mantidos em cativeiros (zoológicos, fazendas e laboratórios) e que ultimamente tem sido utilizada também para animais de companhia.

O Enriquecimento Ambiental (EA) entra em cena quando tornamos o local e a rotina do cão mais enriquecidos de estímulos físicos, mentais, sensoriais, alimentares e sociais, com o objetivo de estimular comportamentos típicos da espécie como caçar, farejar, forragear (buscar alimento), roer, cavar, se entocar, brincar e etc. Comportamentos esses que, quando expressos pelos animais liberam substâncias responsáveis pela sensação de felicidade, reduzindo o estresse, e promovendo um maior nível de bem-estar físico, mental e emocional. 

Podemos considerar que nossos cães também vivem numa espécie de cativeiro, pois passam suas vidas confinadas dentro das nossas casas, sendo controlados quase que inteiramente por nós. Sem falar da rotina de trabalho cada vez mais agitada dos centros urbanos, em que as pessoas chegam cada vez mais tarde em casa e os cães, por sua vez, têm passado cada vez mais tempo sozinhos. Este estilo de vida vem gerando cães frustrados, entediados e com o bem-estar comprometido. Desta forma, tanto os animais de zoológico quanto os animais de companhia que vivem em um ambiente restrito e pobre em estímulos, podem sofrer uma série de problemas de comportamento. 

Por exemplo, um cão que fica o dia inteiro dentro de um apartamento esperando o dono chegar, tende
a ficar entediado e frustrado, redirecionando toda sua energia para destruição de objetos, latidos em excesso, automutilação, dentre outros distúrbios de comportamento. No entanto se este cão tem uma rotina enriquecida e oportunidades para expressar comportamentos naturais tende a ficar mais calmo e equilibrado, e com o bem estar elevado. 

Para que o Enriquecimento Ambiental seja efetivo precisamos nos atentar para alguns critérios chave: 

1) Novidade: o ambiente precisa ser dinâmico, complexo e imprevisível, isto é, precisa ter estímulos novos continuamente. Exceto cães medrosos e inseguros, que é preferível um ambiente mais previsível e estável. 

2) Rotatividade: a fim de tornar as atividades viáveis a médio/longo prazo os estímulos/atividades devem passar por um revezamento, podendo assim, serem repetidos com um determinado intervalo mínimo de tempo; 

3) Rotina diária: as atividades devem ser inseridas na rotina do cão e do dono, isto é, devem ser
realizadas continuamente e a quantidade/intensidade deve estar diretamente relacionada às necessidades individuais de cada cão; 

4) Desafio: deve se aumentar gradualmente a dificuldade das atividades conforme a resposta individual de cada cão; 

5) Criatividade: a fim de cumprir com o critério da novidade e do desafio, a criação de novas ideias é imprescindível; 

6) Opções de escolha: é muito importante oferecer oportunidades de escolha para que o cão tenha mais controle sobre o próprio ambiente. 

E, para concluir, não poderia deixar de enfatizar a importância de supervisionar o cão durante as atividades de Enriquecimento Ambiental. Seja utilizando brinquedos comerciais ou feitos em casa com materiais recicláveis, é fundamental a supervisão para evitar qualquer tipo de acidente como por exemplo, a ingestão de objetos, ferimentos e brigas entre dois ou mais cães. 

Se vc gostou deste assunto, e quer saber como fazer tudo isto na prática, acompanhe o perfil @lorisdog no Instagram que tem várias ideias fáceis, baratas e práticas para você implementar com o seu cão! 

Vivian Lucy Katherina Krause é formada em Medicina Veterinária e criadora do perfil @Lorisdog no Instagram e do canal “Brinquedo Bom Pra Cachorro” no YouTube. 

domingo, 31 de março de 2019

Seu cachorro sabe dormir sozinho?


Durante férias, feriados e festas de final de ano muitas pessoas viajam e deixam seus pets em hospedagens. Será que elas sabem como seus cães se comportam dormindo fora de casa em um local estranho? 
Neste texto vamos falar um pouco sobre como preparar o cão para a estadia em um local estranho e como evitar que ele sofra dormindo sozinho. 
Cada vez mais os cães são considerados filhos e membros da família, estreitando os laços e estando cada vez mais junto dos tutores em todos os momentos do seu dia. 
Sem pensar nas consequências desse hipervinculo com o cão, os tutores são responsáveis por tornar esse cãozinho totalmente dependente da presença humana, e quando precisam se ausentar de casa ou deixá-lo em alguma hospedagem o cão apresenta dificuldade para dormir sozinho. 
“Entende-se por síndrome de ansiedade por separação (SAS) o conjunto de respostas fisiológicas e comportamentais, exibidas isoladamente ou em associação, por um dado animal quando na ausência de uma figura de apego. A SAS tornou-se um problema comportamental comumente reportado nos animais de companhia, sendo descritos sérios impactos sobre a qualidade da interação humano-animal e o bem-estar animal, em especial, dos cães.” Revista Brasileira de Zoociências 18(3): 159-186. 2017 -Machado & Sant’Anna


Como saber se meu cãozinho tem ansiedade por separação? 
  • O cão segue o tutor pela casa;
  • Vocalização exagerada (latidos, uivos e choro); 
  • Não consegue dormir na própria cama, dorme sempre com o tutor; 
  • Faz as necessidades em local errado quando deixado só;
  • Não se alimenta sozinho;
  • Pode se tornar destrutivo; 
  • Se mutila e arranha portas; 
  • Autolimpeza excessiva e automutilação; 
  • Intensa agitação e movimentação logo após saída tutor. 

Para evitar que seu cão desenvolva ansiedade por separação, você deve educá-lo para ser independente, ele precisa ter o canto dele na casa, com as coisas e brinquedos dele. Mesmo com você em casa, ele precisa conseguir ficar em outro cômodo sem apresentar angústia por isso, como nós precisamos de um tempo só, os cães também. 


Bom, você precisa viajar e agora que leu este texto sabe que provavelmente seu cãozinho sofre de ansiedade por separação, como ajudar ele a lidar com isso antes de mandá-lo para a hospedagem? 

• Comece tirando ele da sua cama, deixe a caminha dele ao lado da sua e coloque ele lá sempre que subir de volta, associe a cama dele com algo gostoso para roer, as primeiras noites serão as mais difíceis, mas você precisa ser firme, é para o bem dele. 
• Passaram alguns dias e ele está dormindo muito bem na cama dele ao lado da sua, vá distanciando a caminha dele da sua em direção a saída do quarto, até o dia em que conseguir deixa-lo dormindo em outro cômodo, só avance as etapas se ele estiver lidando bem. 
• Não faça festas quando você chegar em casa e nem se despeça dele, deixe coisas legais para ele fazer na sua ausência, um KONG recheado e ossos recreativos são ótimas opções. 
• Quando você estiver em casa, não permita que ele te siga por todos os lados, feche a porta dos cômodos e deixe ele com as coisinhas dele, sempre associe sua saída do ambiente com algo muito melhor. 
• Simule saídas rápidas, deixe algo gostoso e quando voltar, retire. 

Se o cãozinho sofre de ansiedade por separação o ideal é que ele visite o local onde ficará hospedado algumas vezes até o dia em que ficará lá, se o local oferecer creche leve ele para ficar algumas horas e se habituar com o lugar.

Autora: Stefanie Davi, educadora canina, Instagram @petassistancefloripa

Visite a loja Bicho Integral - Soluções Naturais para tutores Conscientes. loja.bichointegral.com.br

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Sete vantagens do Uso da Homeopatia em Veterinária:

1. Não requer experimentação cruenta em animais.

2. Não utiliza drogas de elaboração industrial, artificial, tóxicas e/ou contaminantes.

3. Pode prescindir de vacinas ou outros meios artificiais para a prevenção das chamadas enfermidades contagiosas evitando assim, muitas vezes, sérios efeitos colaterais negativos.

4. Promove de forma terapêutica e favorece ideologicamente mudanças de atitude vital, tanto dos pacientes quanto dos terapeutas e cuidadores, ajudando na construção de um mundo melhor.

5. Custo baixo!

6. Trata surtos epidêmicos em populações tanto de forma profilática quanto terapêutica.

7. Ao reequilibrar a energia vital do enfermo atua sobre o organismo como um todo (holos) melhorando não só os sintomas físicos como também os mentais, melhorando as relações com o ambiente, os sofrimentos, os medos, etc.