sábado, 25 de agosto de 2012

Alterações em glândulas anais em cães e gatos ou “Seu bicho está arrastando o traseiro no chão?”


          Glândulas anais são anexos do sistema digestivo e estão presentes em todos os mamíferos terrestres, incluindo o homem. Tanto cães quanto gatos, apresentam um par dessas glândulas na região ao redor do ânus, nas posições de 4 e 8 horas do relógio. Sua função parece ser, além da lubrificação anal para a saída das fezes, a de manifestações  sócio-hierárquicas como a demarcação territorial e a expressão de estados de medo. A secreção normal é amarelo amarronzada e de consistência semi líquida, mas o que marca mesmo sua presença é o odor insuportável que é sua característica mais marcante! É algo que não dá pra esquecer! Quando não há o esvaziamento adequado da secreção ela se torna mais espessa e difícil de drenar ficando conseqüentemente mais fétida do que o normal.



Nesse esquema aparece a localização das glândulas mas por dentro da pele, a visualização é apenas ilustrativa.

          A impactação dessas glândulas é quando não há a descarga dessa secreção para o exterior, na saída do reto para o ânus e as glândulas mantêm-se cheias, distendidas e dolorosas. O animal esfrega então o ânus no chão, na tentativa de minimizar o desconforto e esvaziar a glândula. Complicações aliadas ao não esvaziamento das glândulas anais , como abcessos e fístulas, podem ocorrer.

Sintomas
          Os sinais clínicos mais comuns em cães e gatos com algum grau de impactação nessas glândulas são a dificuldade em defecar (disquezia), a necessidade frequente em defecar, com pouca ou nenhuma produção de fezes (tenesmo), a diarréia, o arrastar da região anal no chão, rodopiar sobre ela esfregando-a no chão, lamber e morder a região anal com insistência, coloração avermelhada da região e a visualização de um ou dois volumes ou “bolsinhas’ na região do ânus. Tanto a inquietação como a apatia e a anorexia podem estar associados ao extremo desconforto gerado pelo quadro.
          Exames complementares, como o de fezes, devem ser requisitados para descartar algumas verminoses que se caracterizam por sinais semelhantes, como arrastar o traseiro no chão.
          A evolução do processo inflamatório inicial pode levar a formação de abcesso, o que complica o caso e muitas vezes a abordagem cirúrgica é necessária. Por isso, quanto antes diagnosticado e tratado o problema, mais chances de sucesso, com menos complicações e necessidade de medicamentos e cirurgias.

Algumas causas
- Constipação ou diminuição dos movimentos peristálticos intestinais (movimentos que levam o alimento do início do intestino delgado até o ânus).
- Ingestão inapropriada de fibras, normalmente menor do que a necessária, causando fezes sem volume e consistência adequadas ao esvaziamento.
- Disbiose intestinal é um dos principais fatores que desencadeiam inflamações em diversos tecidos, inclusive as glândulas ad-anais
- Quadros de diarréias crônicas, onde a massa fecal macia demais não chega a estimular o esvaziamento das glândulas durante sua saída pelo ânus
- Retenção de fezes por longos períodos principalmente em animais
que só defecam fora de casa quando o tutor os leva, 1x/dia.
- Espaço inadequado para exercícios e exploração, não permitindo que o indivíduo expresse
sua marcação territorial.
- Nutrição inadequada (grande quantidade de aditivos em rações comerciais que agem como irritantes e alergênicos) e falta de exercícios podem causar toxicicidade e sobrecarga metabólica! Alterações de pele e ouvido em conseqüência dessa toxicidade também são comuns e inclusive podem estar associados aos problemas das glândulas anais.
- Malasseziose e demodicose também são fatores adjuvantes na inflamação das glândulas anais.
- Hipersensibilidade a uma grande variedade de antígenos (produtos diversos que desencadeiam processos alérgicos). O paciente atópico é uma vítima comum desses fatores!



                                       Dá pra ver as duas bolsinhas inferiores ao orifício anal?

Profilaxia
          Glândulas anais não devem ser apertadas, espremidas ou esvaziadas todas as vezes que o cão vai ao banho! Alguns banhistas tem esse hábito e ele acaba viciando a glândula que torna-se incapaz de esvaziar-se sozinha!
          Fatores como nutrição biologicamente adequada à espécie, ambiente saudável, exercícios ao ar livre, oportunidade de escolher o local de defecar durante um passeio (não esqueça de recolher!) são imprescindíveis ao bom funcionamento orgânico em geral e especialmente o tubo digestivo e seus anexos.
Animais que sabidamente tem dificuldade de esvaziamento da glândula devem receber alguns nutracêuticos que podem favorecer o funcionamento da glândula e seu esgotamento:
          Fibras adicionais, ômega 3, vitaminas do complexo B, vit. A e azeite de oliva são algumas dessas substâncias. Peça orientação ao seu veterinário quanto às substâncias mais indicadas para o caso do seu animal em especial.

Tratamento
          Exercícios fazem parte do tratamento já que esse quadro é muito comum em cães obesos e mesmo que não sejam obesos, a movimentação muscular, a liberação de endorfinas e outras substâncias químicas durante o exercício, fazem com que os movimentos intestinais sejam mais vigorosos, melhorando a defecação.
          Aumentar a fibra alimentar, acrescentando legumes,verduras e grãos integrais à alimentação também ajudará a normalizar o trânsito intestinal a medida que aumenta o bolo fecal, melhorando os movimentos intestinais. Só faça alterações alimentares com orientação de veterinários capacitados para responder a estas questões.
          O ômega 3 com sua potente ação antinflamatória é uma ferramenta importante na regulação do funcionamento dessa glândula.



                                               
          Compressas locais com chá morno ou tintura de calêndula em água morna sobre a região afetada ou uma simples compressa com óleo de camomila alemã e óleo de calêndula em partes iguais aquecidos, podem facilitar a fluidificação da secreção, o amolecimento do tecido, a dilatação dos vasos locais e conseqüente auxílio ao esvaziamento natural ou adjuvante na manobra manual de esvaziamento da glândula. Esse procedimento deve ser feito somente quando absolutamente necessário e com muito cuidado, principalmente quando a técnica de esvaziamento for com a introdução de um dedo internamente ao ânus, pois qualquer lesão na mucosa da região pode funcionar como uma porta de entrada das bactéria na circulação e causar a chamada translocação bacteriana, quando bactérias presentes no intestino ganham a corrente sanguínea através da mucosa lesada do intestino ou da ruptura de algum vaso e causam uma infecção generalizada.
          O procedimento de esvaziamento dos sacos anais deve ser feito por alguém com experiência e delicadeza suficiente para não ferir mais o animal. Veja um filminho aqui. Tal procedimento não deve ser feito com freqüência ou utilizado como profilaxia. A saída das fezes pelo orifício anal é que deve estimular por si só o esvaziamento glandular e para que isso aconteça as alterações alimentares e de manejo devem ser implantadas.
          Indico alimentação natural cozida ou crua para restabelecer o equilíbrio nutricional e metabólico normal a cada espécie. Alguns veterinários já estão familiarizados e capacitados a formular cardápios e fazer a orientação nutricional natural de seus pacientes. Procure um perto de você, mas se não encontrar, dê uma boa olhada no site www.cachorroverde.com.br . Nele a nutróloga veterinária Sylvia Angélico dá uma minuciosa aula sobre o assunto, ajudando-nos a entender melhor a utilização e os efeitos sobre alimentação no organismo animal.



          Por último e mais uma vez, a eficiência homeopática sobre mais essa patologia é inquestionável! Seja na drenagem, na cicatrização, nas inflamações e até nos abcessos, quando bem escolhida, a homeopatia pode efetuar pequenos milagres! Cada caso requer um estudo particular e um medicamento individualizado. Nessa tabela talvez encontre um veterinário homeopata bem perto de você, que poderá ajudá-lo.

Namastê

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Sete vantagens do Uso da Homeopatia em Veterinária:

1. Não requer experimentação cruenta em animais.

2. Não utiliza drogas de elaboração industrial, artificial, tóxicas e/ou contaminantes.

3. Pode prescindir de vacinas ou outros meios artificiais para a prevenção das chamadas enfermidades contagiosas evitando assim, muitas vezes, sérios efeitos colaterais negativos.

4. Promove de forma terapêutica e favorece ideologicamente mudanças de atitude vital, tanto dos pacientes quanto dos terapeutas e cuidadores, ajudando na construção de um mundo melhor.

5. Custo baixo!

6. Trata surtos epidêmicos em populações tanto de forma profilática quanto terapêutica.

7. Ao reequilibrar a energia vital do enfermo atua sobre o organismo como um todo (holos) melhorando não só os sintomas físicos como também os mentais, melhorando as relações com o ambiente, os sofrimentos, os medos, etc.